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Terminou interrogatório de 5 horas a Luís Filipe Vieira

Advogado confirma que empresário respondeu a todas as perguntas do juiz de instrução e discorda de eventual prisão preventiva.

Luís Filipe Vieira foi esta manhã a ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal em Lisboa. O interrogatório, no âmbito do processo Cartão Vermelho, terminou às 14:15 confirmou o advogado Magalhães e Silva, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal.

O advogado de Luís Filipe Vieira entende que as declarações prestadas ao juiz Carlos Alexandre são suficientes para ilibar o presidente do Benfica.

À saída do Tribunal Central de Investigação Criminal, Magalhães e Silva diz não concordar se for decretada a prisão preventiva.

Vieira "respondeu a todas as questões, sem nenhuma exceção"

O representante de Vieira considerou que a audição do seu constituinte "correu bem", tendo tido início às 09:15, tendo feito um balanço "positivo" e afirmando que "respondeu a todas as questões, sem nenhuma exceção", com o empresário a afirmar a sua inocência.

A promoção do Ministério Público (MP) quanto às medidas de coação terá início às 15:30, explicou Magalhães e Silva, que espera que a decisão final do juiz seja divulgada ainda hoje.

"Não gosto de antecipar convicções. Como em termos de decisão já vi de tudo, não gosto de cavalgar nenhuma convicção", afirmou, entendendo que Vieira conseguiu defender-se das questões efetuadas pelo juiz Carlos Alexandre: "As explicações que Luís Filipe Vieira deu, do meu ponto de vista, ilibam-no integralmente".

Em relação ao processo, Magalhães e Silva revelou ainda que "o que há relativamente às 'offshores' são transações imobiliárias sem nenhuma ponta de ilegalidade".

Sobre a possibilidade de o juiz decretar prisão preventiva como medida de coação, o advogado expressou que irá discordar "obviamente" da decisão.

Enquanto a promoção do MP não tem início, o juiz autorizou Luís Filipe Vieira a estar com o filho, Tiago Vieira, outro dos arguidos no processo, contou também Magalhães e Silva.

"O senhor Luís Filipe Vieira não disse nada que pudesse minimamente prejudicar o filho, até porque não havia rigorosamente nada que pudesse dizer que prejudicasse o filho", sublinhou.

Os outros detidos já foram ouvidos

O presidente do Benfica, agora suspenso de funções, foi o último dos quatro detidos a ser interrogado. As medidas de coação deverão ser conhecidas ainda hoje.

Segundo o comunicado do Conselho Superior de Magistratura, depois do interrogatório de Bruno Macedo, que terminou às 14:16 horas de sexta-feira, seguiu-se o de Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, o último a ser ouvido hoje. Na manhã de sexta-feira, já o empresário José António dos Santos tinha prestado declarações ao juiz Carlos Alexandre.

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos na quarta-feira, numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão em causa factos suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

Para esta investigação foram cumpridos cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.