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Miguel Guimarães afirma que situação nas urgências de Setúbal é "uma indignidade para os cidadãos"

O bastonário da Ordem dos Médicos apela ao Governo que resolva esta situação rapidamente.

Miguel Guimarães reitera que o Centro Hospitalar de Setúbal atravessa uma situação grave. Os diretores do hospital apresentaram a demissão devido a uma situação de rotura nas urgências. Depois de visitar o hospital, o bastonário da Ordem dos Médicos sublinha que há doentes em macas no serviço de urgências e que faltam cada vez mais especialistas.

“Nós fomos lá no dia 20 de setembro, estivemos a fazer uma visita ao hospital e há cerca de duas semanas. Encontrámos 47 doentes em macas no serviço de urgência. Isto é de uma indignidade para os cidadãos de Setúbal, para os potenciais doentes, inacreditável. Não há condições para os médicos ou enfermeiros estarem a vigiar os doentes em condições”, denuncia o bastonário.

Também nas especialidades médicas, o cenário não é bom. Miguel Guimarães dá dois exemplos de serviços onde o número de especialistas é inferior ao necessário para tratar os pacientes.

“O serviço de oncologia já teve oito especialistas, neste momento tem dois especialistas. Isto significa que uma grande parte dos doentes oncológicos acabam por ter de ser tratados noutro sítio. A população de Setúbal – que é capital de distrito – não tem um serviço que dê saída à maior parte dos doentes que são de lá. Obstetrícia já teve 21 especialistas, tem 11. Destes 11, oito têm mais de 57 anos. Ou seja, podem deixar de fazer urgência, o que quer dizer que a urgência de obstetrícia pode, de um momento para o outro, fechar completamente”, alerta.

O bastonário apela ao Governo que resolva a situação antes que seja necessário levar o caso à Assembleia da República. Miguel Guimarães atribui à tutela a responsabilidade pelo que se passa no Centro Hospitalar de Setúbal.

“É uma situação grave, que é importante para todos os cidadãos de Setúbal. E nós não podemos estar a fechar os olhos a isto”, remata.

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