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Chega assume que abandono do hemiciclo teve um “custo” mas que foi feito "de forma pensada"

Chega assume que abandono do hemiciclo teve um “custo” mas que foi feito "de forma pensada"
TIAGO PETINGA

André Ventura defende que “a democracia tem de ter espaço para todos os estilos de fazer política”.

O Chega defendeu, esta quinta-feira, que “a democracia tem de ter espaço para todos os estilos de fazer política”, assumindo que abandonar o plenário em protesto contra o presidente do Parlamento foi decidido “de forma pensada” apesar de ter “um custo”.

Os deputados do Chega abandonaram, esta quinta-feira, o hemiciclo durante o debate sobre a revisão da lei de estrangeiros, num momento de tensão com o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva.

Após esta saída, o Chega não voltou ao plenário, tendo o presidente do partido, André Ventura, dado uma conferência de imprensa, com todos os deputados atrás de si, para explicar os motivos desta decisão.

“O Chega decidiu hoje [quinta-feira] abandonar o plenário da Assembleia da República por uma razão que penso que foi evidente, por Augusto Santos Silva ter deixado por um momento de ser presidente da Assembleia da República e se ter tornado deputado do PS. O que tivemos hoje [quinta-feira] foi algo que nem com Ferro Rodrigues eu assisti”, criticou, referindo que Santos Silva “em vez de passar a palavra ao partido seguinte, decidiu fazer um comentário sobre o projeto de lei apresentado”.

"Chega tem o seu estilo próprio de fazer política”

Questionado pelos jornalistas sobre se sair enquanto o presidente da Assembleia da República estava a usar da palavra era pisar um risco na democracia, André Ventura respondeu que o “Chega tem o seu estilo próprio de fazer política”, como os restantes partidos têm o seu.

“Este é o nosso estilo de fazer política, já o sabemos desde a campanha. A democracia tem de ter espaço para todos os estilos de fazer política”, defendeu, considerando que esse estilo é o que “as pessoas conhecem e é isso que querem aqui”.

Confrontado pelos jornalistas sobre a ausência nas votações do último plenário antes de férias, o presidente do Chega defendeu que “em todas as votações é importante estar”, mas considerou que “há momentos na vida e na história que acima de tudo é importante marcar posição e honrar” quem elegeu o partido.

“E aqueles que nos elegem hoje, ao verem o comportamento de Santos Silva, queriam um ato de censura forte. Não o fizemos de forma leve nem o decidimos, em conjunto com a liderança da bancada e em total solidariedade com o grupo parlamentar, de forma leviana. Decidimos de forma pensada e com custo e sabendo que isto tem custo”, enfatizou.

Na análise de Ventura, “acima da tática, da votação do dia a dia, do problema do dia a dia, há o honrar dos mandatos” que foram dados ao partido.

“Do meio milhão que nos elegeu, se pudessem votar, a grande maioria votaria e concordaria com o que aqui fizemos hoje [quinta-feira]”, afirmou.

O líder do Chega criticou ainda uma “atitude de recreio infantil” dos partidos depois da saída dos seus deputados por os terem atacado quando não estavam dentro do plenário.

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