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Comerciantes pedem patrulhamento nas ruas: "Com o álcool é o cocktail perfeito"

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As associações de empresários em Lisboa pedem mais patrulhamento e alertam para o impacto da falta de polícias nas ruas na época alta.

Numa segunda-feira à noite, em pleno Bairro Alto, ouve-se pouco falar português. Com as ruas cheias de turistas, no primeiro verão sem restrições devido à covid-19, a noite é de festa. De férias, todos os dias são sexta-feira, mas apesar da grande afluência, a dificuldade para circular nas ruas seria maior no final da semana. Também por isso, a presença policial é menor.

A diferença é notória, segundo explicam dois portugueses que trabalham numa das travessas do bairro onde o acesso é apenas pedonal. Mas a vida noturna não é suficiente para medir a presença de polícia nas ruas, e no local de trabalho há pelo menos uma história do último mês sobre uma tentativa de assalto falhada em plena luz do dia.

Numa altura que se fala da falta de polícia nas ruas em Portugal, com os casos do Porto (onde uma esquadra no centro histórico chegou a fechar) e Lisboa, com mais uma morte num rixa junto a um estabelecimento noturno, os receios da falta de segurança parecem não falar estrangeiro.

Para a francesa Milene, que chegou há dois dias de Estrasburgo, não ter visto polícia nas ruas é bom. Critica a violência policial e diz que se sente mais segura assim. Steven chegou do Missouri, e como está a pernoitar junto à esquadra do Bairro Alto, tem-se sentido seguro com a presença policial. "Vemo-los todas as manhãs e passeando por aqui, vemos polícia a cada 20 ou 30 minutos", explica. Conta que nos Estados Unidos a polícia é mais reativa do que preventiva, e entende que o sentimento de segurança nas ruas acaba por ser mais uma questão cultural.

Com os alertas para o aumento da criminalidade - nomeadamente à noite - a visão do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas condiz com a do presidente da Associação Nacional de Discotecas. José Gouveia diz que o que falta são "elementos dissuasores que façam com que as pessoas entendam que estão em segurança e que o infrator entenda que não pode infringir a lei".

Se a solução das esquadras móveis nas zonas mais movimentadas - pedida por Carlos Moedas - pode fazer sentido em alguns locais, não é nisso que os empresários se focam. A grande questão, para José Gouveia e Hilário Castro, da Ass. dos Comerciantes do Bairro Alto, é o patrulhamento.

"Uma rixa não espera, a resolução tem de ser imediata".

O representante nacional das discotecas reforça que a circulação de patrulhas é um pedido antigo. "Se nós tivermos um carro da PSP a circular numa zona de bares, a partir do momento em que o bar, mesmo que esteja afastado 500 metro, der um alerta, o carro chega em poucos segundos. Numa situação em que temos de ligar para a esquadra, pode resultar no que aconteceu no sábado", explica, lembrando a morte de um homem no Parque das Nações depois de ter sido agredido à saída de um bar.

Hilário Castro explica, debaixo de uma câmara de videovigilância, como o sistema instalado "que custou vários milhares de euros" tem ficado aquém do idealizado. As imagens são visionadas no Comando Metropolitano, mas sem efetivos nas ruas o tempo de resposta torna-se demasiado longo. "Seja em casos de tráfico ou conflitos", acrescenta. "Juntam-se aqui pessoas que vêm para criar problemas", alerta, lembrando que quem vem para se divertir "está sedento com o acalmar da pandemia e o fim das restrições". "A falta de policiamento mais o consumo de álcool, é o cocktail perfeito", conclui.

Com uma esquadra em pleno Bairro Alto, a solução das esquadras móveis pedida por Carlos Moedas pode ser mais eficaz noutros pontos da cidade. No entanto, ambos os empresários saúdam as tentativas de envolvimento de todas as partes incentivadas pelo presidente da Câmara de Lisboa. As críticas vão direitas ao poder central e ao Governo que tomou posse no final de março.

"O Ministério da Administração Interna tinha um projeto em março por causa da morte do agente Fábio Guerra, não saiu sequer da secretária da antiga ministra Francisca Van Dunem, e o novo Executivo não se pronunciou, não fala sobre isto, continua a tapar o sol com a peneira, a assobiar para o lado, e as mortes repetem-se", diz José Gouveia.

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