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O discurso de António Costa nas Nações Unidas em três pontos

O discurso de António Costa nas Nações Unidas em três pontos
DAVID DEE DELGADO
Num discurso de cerca de quinze minutos na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o primeiro-ministro português focou-se em três tópicos: condenou a guerra na Ucrânia e pediu que os crimes fossem investigados, traçou metas e desafios para o combate às alterações climáticas e criticou a falta de representatividade num dos órgãos mais importantes das Nações Unidas.
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O primeiro-ministro, António Costa, discursou esta quinta-feira no debate geral da 77.ª sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em cerca de quinze minutos, o chefe do Governo português falou sobre as consequências da invasão da Rússia à Ucrânia, o impacto devastador das alterações climáticas e das crises e conflitos vividos em vários países. Naquela que foi a seu terceira intervenção no debate geral anual, António Costa tocou também em temas como a COP27 no Egito e da candidatura portuguesa a integrar o Conselho de Segurança em 2027-2028 como membro não-permanente.

Guerra na Ucrânia

Numa Assembleia-Geral marcada pela guerra na Ucrânia, António Costa saudou António Guterres pelo acordo alcançado para a exportação de cereais e condenou a Rússia pela irresponsabilidade das ameaças de recorrer a armas nucleares.

“Não é tempo da Rússia fazer irresponsáveis ameaças de recurso às armas nucleares”, declarou.

No arranque do discurso, defendeu uma investigação “independente e transparente para que os crimes não passem impunes" e reiterou o apoio de Portugal à “soberania e independência” da Ucrânia. “A Rússia deve cessar as hostilidades”, afirmou, defendendo um diálogo “sério e orientado” para o cessar-fogo.

Conselho de Segurança da ONU

“A paz não se conquistou em 1975, mas o mundo mudou radicalmente”, disse, fazendo referência ao ano de fundação da Organização das Nações, ao mesmo tempo que mudava a agulha do discurso para o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Precisamos de um Conselho de Segurança representativo, capaz de responder aos desafios”, continuou. António Costa pediu uma representação mais justa dos Estados, onde o "continente africano esteja presente" e “onde, pelo menos, o Brasil e Índia tenham assento”.

De acordo com o primeiro-ministro, a agenda deste que é um dos principais órgãos das Nações Unidas deve estar centrada da prevenção de conflitos.

No fim do discurso, António Costa mencionou a candidatura portuguesa a integrar o Conselho de Segurança em 2027-2028 como membro não-permanente.

"Os desafios que hoje enfrentamos tornam incontornável a necessidade de continuar a adaptar esta nossa casa, tornando-a mais eficiente, mais justa e mais representativa. Portugal está pronto também a dar o seu contributo. E por isso somos candidatos ao Conselho de Segurança no biénio 2027-2028 e esperamos uma vez mais merecer a vossa confiança", acrescentou.

Alterações climáticas

“É inegável que existe um nexo entre o clima e a segurança”, começou por dizer quando se preparava para entrar no tópico das alterações climáticas. Sobre Portugal, referiu que o país tem sofrido com a erosão costeira, a seca e com o “drama” dos incêndios florestais.

Depois de mencionar a tragédia vivida este ano no Paquistão, Costa apontou a COP 27, que se realiza entre os dias 6 e 18 de novembro em Sharm El Sheikh, no Egito, como um momento importante para se produzir medidas que conduzam à mitigação e adaptação das alterações climáticas.

Introduziu ainda no tópico as conquistas e metas portuguesas:

“Portugal tem estado na linha da frente do processo de descarbonização. Foi o primeiro país do mundo a comprometer-se em alcançar a neutralidade carbónica em 2050. Acreditamos que este objetivo é viável.”

E lançou o desafio:

“Vamos procurar acelerar estes compromissos, como fizemos ao encerrar a produção de eletricidade através do carvão”, acrescentando que Portugal vai tentar aumentar de 60% para 80% o peso das energias renováveis na eletricidade consumida.

Sobre a agenda do oceano, António Costa lembrou que Portugal tem como objetivo proteger pelo menos 30% das suas áreas marinhas até 2030 e, até ao final da época, conseguir que 100% do espaço marítimo seja avaliado em bom estado climático.

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