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Bispo do Porto quebra "período de silêncio" após notícias e comentários de que foi alvo

Bispo do Porto quebra "período de silêncio" após notícias e comentários de que foi alvo
O bispo do Porto, Manuel Linda, assume perante uma “pergunta inesperada” não foi feliz na resposta e deixou “dúvidas quanto à noção de crime público”.

“Nas últimas semanas, fui objeto de várias notícias e comentários. Isso conduziu-me a um período de silêncio, reflexão e discernimento” mas porque, diz “sei que os cristãos desta nossa Diocese esperam uma palavra sobre isso”, decidiu, justifica, escrever o texto, que foi enviado esta terça-feira às redações e no qual assume que sem intenção acabou “por deixar dúvidas quanto à noção de ‘crime público’”.

“No princípio deste mês, (…), uma jornalista fez-me uma pergunta inesperada sobre a obrigatoriedade ou não de denúncia dos casos de abuso sexual de menores. Embora vincando bem que todos o estamos a fazer e que a nossa Diocese sempre assim procederá, na minha resposta, acabei por deixar dúvidas quanto à noção de “crime público”. Acredito que também muitos dos cristãos da Diocese se terão questionado e sentido incomodados com o que se seguiu na comunicação social. Pois bem: assumo que não fui feliz na expressão e que, porventura, tornei incompreensível o meu próprio pensamento. E disso peço desculpa a todos e perdão às vítimas que, possivelmente, se sentiram feridas”, lê-se no comunicado.

Acontece que, acrescenta, na sequência deste “acontecimento” surgiu o que Manuel Linda descreve como “busca de pronunciamentos meus sobre a matéria em causa, concretamente quando, há quase quatro anos, usei a expressão “queda de um meteorito”. Nessa altura, embora se falasse da criação de Comissões Diocesanas para a receção de denúncias de abusos, a Santa Sé ainda não tinha ordenado a sua constituição”.

“Ora, mal cheguei à Diocese, fui confrontado com uma denúncia (…). Algo ingenuamente, estava convencido que as estruturas existentes na Diocese e eu próprio seríamos suficientes para receber e tratar os casos que viessem a surgir. Entretanto, quando essas Comissões se tornaram obrigatórias, criei nesta Diocese uma das primeiras em Portugal. Outra expressão que não caiu bem foi usar o termo “asneiras” relativamente a esses casos" que, justifica, na sua “zona de origem” quer dizer "qualquer ação perversa. Não era, pois, minha intenção menorizar o terrível crime dos abusos”

Expressões infelizes e justificações à parte, o bispo Manuel Linda assume que perante o que está em causa - abusos sexuais na Igreja portuguesa - “temos amarguradamente de reconhecer que a realidade é muito mais sombria e dolorosa” do que, diz, ele próprio pensava. Neste sentido, vinca, que “fique muito claro que sofro e deploro liminarmente esse flagelo dos crimes de natureza sexual cometidos contra menores ou pessoas vulneráveis”. Mais, garante: “Tudo farei para lhes pôr cobro”.

E, citando o Papa Francisco, o bispo do Porto declara que é preciso “agir e ajudar as Comissões, a Diocesana e a Independente, no seu trabalho de investigar, acolher e prevenir”. Com que objetivo? De “assumirmos todos, clérigos e leigos, a responsabilidade de erradicar dos nossos ambientes eclesiais e de toda a sociedade qualquer tipo de abuso, defendendo intransigentemente os mais frágeis, acautelando preventivamente qualquer situação de risco e denunciando os crimes para que se faça justiça”.

“Sobre isto não deve haver qualquer dúvida. A “tolerância zero” que o Papa Francisco declarou para toda a Igreja é a que desejo igualmente na nossa Diocese. É tempo para escutar as vítimas, sofrer com elas e prestar-lhes todo o apoio”

A fechar o comunicado, que assina apenas com “Manuel, bispo do Porto”, um apelo em jeito de convite para um “programa formativo sobre o tema 'Comunidades seguras e sãs”, agendado para dezembro e que, diz, “visa sensibilizar para a temática da proteção e cuidado das crianças, jovens e adultos vulneráveis que nos são confiadas e para a importância de promover um clima de cuidado e bom trato”.

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