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A entrevista ao ministro da Saúde

Entrevista SIC

A entrevista ao ministro da Saúde
ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esteve esta terça-feira em entrevista no Jornal da Noite da SIC, onde reconheceu o “problema crónico” das urgências em Portugal.

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O Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, defende a atratividade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), realçando que assegura dois terços dos clínicos. Em entrevista no Jornal da Noite da SIC, reconhece um "problema crónico" nas urgências e avança que o esquema alternado de funcionamento das maternidades vai ser mantido no primeiro trimestre de 2023.

“Um pouco mais de dois terços permanecem no SNS. Temos hoje mais médicos. Temos mais 4.500 especialistas que em 2015”, afirma o ministro da Saúde.

Em entrevista no Jornal da Noite da SIC, reconhece, no entanto, que a o SNS não conseguiu, na última década, manter-se na linha da frente da evolução tecnológica. E garante que, no próximo ano, o Governo vai apostar nas carreiras profissionais.

Sobre o fluxo às urgências, Manuel Pizarro considera que há um “problema crónico”, lembrando que, segundo o diretor das urgências do Hospital de São João, - em alguns momentos - num minuto inscreviam-se três pessoas. No entanto, defende que a culpa não é dos utentes, mas de quem não criou um sistema de saúde “fácil e com alternativas”.

Na SIC, salienta que é "essencial" o prolongamento dos horários dos centros de saúde e maior facilidade de marcação de consultas. Além disso, apela a literacia dos doentes para recorrerem, em primeiro lugar, à linha SNS 24 e a centros de saúde, em vez de às urgências.

Sobre o sistema alternado, que vigorou no fim de semana do Natal, o ministro explica que correu bem e adianta que, para já, vai ser mantido no primeiro trimestre de 2023 aos de fins semana em algumas regiões. Assegura ainda que as grávidas podem saber quais são os hospitais abertos através da linha de Saúde 24, do 112 ou no portal do Ministério da Saúde.

No Jornal da Noite, anuncia a criação de mais 28 Unidades de Saúde Familiares (USF) de modelo B, cuja remuneração está associada ao desempenho.

Em relação à covid-19 na China, Manuel Pizarro assegura que Portugal está "verdadeiramente" protegido.

Falta de médicos

Todos os anos se formam 2 mil médicos especialistas, mas cerca de 600 optam por não ficar a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Baixos vencimentos e carreiras desadequadas ao que é hoje a profissão são as principais razões.

No caso dos médicos de família, há hoje 1 milhão e 400 mil pessoas sem médico de família e as perspetivas é que este número possa aumentar.

É na região de Lisboa e Vale do Tejo onde a escassez é maior. Mais de 990 mil pessoas estão sem acesso a médico - faltam 560 clínicos - e também diminuiu a possibilidade de formar novos especialistas.

Todos os anos saem da especialidade 500 médicos de família, mas apenas dois terços ficam a trabalhar no SNS.

O mesmo acontece com os especialistas dos hospitalares. No último concurso aberto há dois meses havia 1500 vagas. Quase metade ficou por ocupar. Os restantes preferem ir para o privado, para o estrangeiro ou trabalhar como tarefeiros onde ganham muito mais.

Só este ano reformaram-se e saíram do SNS 800 médicos, o maior número dos últimos 10 anos.