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Poluição: há uma zona em Lisboa que continua a exceder limite máximo

Poluição: há uma zona em Lisboa que continua a exceder limite máximo
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A Associação Zero explica que a culpa é sobretudo dos gases produzidos pelos automóveis. Para contrariar essa subida, apela a que seja feito um investimento no transporte público.

A poluição na Avenida da Liberdade, em Lisboa, excedeu em 2022 o limite máximo permitido pela legislação nacional e pela diretiva europeia. O alerta é da Associação Zero, que recorda que em Portugal a poluição do ar é responsável pela morte prematura de cerca de seis mil pessoas todos os anos.

Limite foi ultrapassado em mais de 12%

Vamos a valores. O limite máximo permitido pela legislação nacional de dióxido de azoto no ar é de 40 microgramas por metro cúbico.

Em Lisboa, na Avenida da Liberdade, a média anual foi de 45 microgramas por metro cúbico, ultrapassando em cerca de 12,5% o limite máximo. E em dois dias chegou a registar-se uma concentração média de 200 microgramas por metro cúbico, revela a Zero.

“A Zero lembra que, nos últimos anos, tem havido inúmeras situações de incumprimento de valores mínimos da qualidade do ar exigidos por lei em várias regiões do país (...). Para além dos incumprimentos serem recorrentes, revelando um problema de qualidade do ar crónico, não são visíveis medidas para melhorar o ar que todos respiramos”, lê-se no comunicado divulgado esta quinta-feira.

O problema: cada vez mais carros e trânsito em níveis caóticos

A Zero explica que a culpa é sobretudo dos gases produzidos pelos automóveis. Para contrariar essa subida, apela a que seja feito um investimento no transporte público. Até porque, explica, na última década aumentou (e muito) o uso do automóvel.

“A poluição pode ser contrariada por fortes investimentos no transporte público e mobilidade suave, assim como medidas de redução do uso do transporte individual”, defende.

“O trânsito já supera os níveis de 2019, colocando o tráfego automóvel em níveis caóticos. Por isso, a ZERO alerta para a necessidade absolutamente urgente de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável para a cidade de Lisboa, sendo esta a única capital dos países do sul da Europa sem um plano deste tipo”, lamenta.

Poluição do ar: uma das grandes responsáveis por mortes prematuras

Os efeitos do excesso de poluição no ar? Mortes prematuras. A Zero relembra que a poluição do ar é uma das principais causas de morte prematura no mundo, sendo responsável por cerca de uma em cada oito mortes deste tipo.

Para além disso, provoca o surgimento ou agravamento de doenças como AVC, problemas cardíacos, cancro do pulmão e doenças respiratórias. É ainda responsável por efeitos como irritação dos olhos e garganta, diminuição da capacidade respiratória, dores no peito, entre outros.

“Em Portugal, a poluição do ar é responsável pela morte prematura de cerca de seis mil pessoas todos os anos”, afirma a Zero.

No comunicado, a associação revela ainda que irá apresentar uma queixa à Comissão Europeia pela “ausência de medidas de melhoria da qualidade do ar” e afirma mesmo que Portugal não está preparado para a nova legislação europeia, que “será mais exigente”.

“No contexto da revisão em curso da atual legislação europeia da qualidade do ar, o valor-limite anual para o dióxido de azoto deverá vir a ser de 20 microgramas por metro cúbico, prevendo-se que venha a ser ultrapassado não só na Avenida da Liberdade como muitos outros locais da cidade de Lisboa e do país”.

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