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Montenegro “sob fogo”: deputados contestam abstenção na moção de censura

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Dois deputados do PSD apresentaram uma declaração de voto em que consideram incompreensível a orientação dada pela direção do partido.

Há críticas abertas internas à liderança de Luís Montenegro, que as desvaloriza. No dia em que Jorge Moreira da Silva condena a falta de alternativa oferecida pela oposição, sabe-se também que dois deputados do PSD apresentaram uma declaração de voto no dia da votação da moção de censura ao Governo.

No dia em que o PSD optou por se abster na votação de uma moção de censura ao Governo, todos os deputados da bancada social-democrata respeitaram a disciplina de voto.

O que não se sabia, até porque nenhum deles se manifestou em plenário, é que os deputados André Coelho Lima e Carlos Eduardo Reis apresentaram logo depois uma declaração de voto, que só agora é publicada em Diário da Assembleia da República.

Nessa declaração, os dois deputados, antigos homens fortes de Rui Rio, consideram incompreensível a orientação dada pela direção do partido e defendem que havia vários motivos para censurar o Governo e aprovar a moção da Iniciativa Liberal.

Alertam para os riscos da ausência de demarcação, sublinham que os tempos não toleram tibiezas e que a alternativa também se afirma na diferença.

O líder do PSD diz que é normal e que nada disso põe em causa o trabalho e a união do partido e do grupo parlamentar.

“O PSD é um partido democrático e em que cada um pensa pela sua cabeça. Fui ao grupo parlamentar antes do debate da moção de censura dizer quais eram as orientações da direção nacional do partido, olhos nos olhos com os deputados. Nessa altura não fui confrontado com nenhuma opinião contrária”, disse.

A reunião a que Montenegro se refere aconteceu no dia 3 de janeiro e ao que a SIC apurou foi marcada de véspera. Como os trabalhos parlamentares estavam suspensos e só seriam retomados no dia seguinte, muitos deputados não estavam em Lisboa e não participaram na reunião, entre eles André Coelho Lima e Carlos Eduardo Reis.

Há uma semana, em entrevista à SIC, o líder do PSD rejeitava qualquer mal estar na bancada social-democrata.

Mas as críticas internas à liderança de Montenegro não ficam pela bancada. Esta sexta-feira, Jorge Moreira da Silva escreveu um artigo de opinião no Expresso em que defende uma alternativa sustentável.

O ex-adversário de Montenegro na corrida à liderança sublinha que se o Governo se limitar a gerir, comunicar e controlar danos, sem lançar nem executar reformas de fundo, os partidos da oposição também não arriscam a apresentação de alternativas e limitam-se a um registo de combate.

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