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Luís Montenegro em entrevista

Entrevista SIC Notícias

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Em entrevista à SIC Notícias, Luís Montenegro explicou o que seria preciso para o PSD a defender a queda do Governo, mas garantiu estar preparado para ir a eleições com António Costa a qualquer altura. Revelou ainda que o vice-presidente da bancada parlamentar do partido, Joaquim Pinto Moreira, vai renunciar ao cargo.

Luís Montenegro afirmou esta quinta-feira, em entrevista à SIC Notícias, que os líderes políticos e partidários têm que ser cada vez mais “criteriosos” no recrutamento e mostrou-se disponível para ajudar a fazê-lo no “plano nacional”. Afirmou-se ainda pronto para ir a eleições e disse que gostaria de fazê-lo com António Costa, para discutir o resultado de “sete anos de políticas de empobrecimento”.

Operação Vórtex: Joaquim Pinto Moreira de saída do PSD

O presidente do PSD informou que o vice-presidente do grupo parlamentar do partido, Joaquim Pinto Moreira, “vai ainda hoje renunciar”, na sequência da investigação da Operação Vórtex a alegados crimes de natureza económico-financeira.

“Fá-lo não porque tenha alguma imputação conhecida sobre ele, mas sem que passadas 60 horas das diligências tivesse sido consumado o pedido de levantamento de imunidade parlamentar, não podemos ficar à espera. (...) É uma opção política”, revelou Montenegro.

O líder dos sociais-democratas revelou ainda que a decisão da saída já tinha sido tomada na terça-feira, dia em que foram conhecidas as buscas. “Foi combinado entre mim e ele. Combinámos que iríamos esperar pelo possível pedido de levantamento [de imunidade]”, mas não tendo o mesmo chegado ao Parlamento, Pinto Moreira irá renunciar, garantiu Montenegro.

“Estamos a ser coerentes. Temos critérios do ponto de vista político e ético de que não prescindimos”.

“Não admito a ninguém essa insinuação”

Questionado sobre a prestação de serviços jurídicos por parte de uma sociedade de advogados da qual Montenegro fazia parte a dois municípios liderados pelo PSD, garantiu não haver qualquer conflito de interesse.

“Não há, do ponto de vista legal, moral ou ético nada a apontar na prestação desses serviços jurídicos”, defendeu, acrescentando que se trata de um assunto “requentado” e acusando a “leviandade” e “maldade” de quem o tem relacionado à Operação Vórtex, já que seis desses contratos foram assinados com a Câmara de Espinho, quando Joaquim Pinto Moreira liderava a autarquia.

Relembrou que o tema já foi alvo de uma apreciação parlamentar da comissão de ética, “que concluiu que não havia nenhum problema” e esclareceu que não era o próprio Montenegro a acompanhar no escritório as matérias trabalhadas.

Sobre a escolha desses mesmos dois autarcas para a sua equipa, Luís Montenegro foi claro: “não admito a ninguém essa insinuação. [Foram escolhidos porque] são pessoas com qualidade política”.

“No dia em que infringir critérios de honorabilidade e conduta eticamente aceitável, deixarei de ser um ator político. Estou disponível para que se investigue de todas as formas que quiserem estes contratos de serviços jurídicos. Estou à vontade”, disse.

Casos polémicos e mecanismo de escrutínio: "Tentativa falhada de Costa se desresponsabilizar"

Sobre os sucessivos casos polémicos no seio político, sobretudo no Executivo, Luís Montenegro afirmou que prejudicam a credibilidade da atividade política e admitiu um “prejuízo para a democracia e para o país”. Por isso, disse estar disponível para fazer parte de um plano nacional para escrutinar as escolhas dos governantes e admitiu querer fazê-lo também internamente.

Para classificar o mecanismo de escrutínio anunciado pelo Governo esta quinta-feira, utilizou uma expressão de Assunção Esteves: “é um ato de verdadeiro inconseguimento” e foi mesmo mais longe, dizendo que é uma “tentativa falhada do primeiro-ministro se desresponsabilizar por uma responsabilidade que é exclusivamente sua”.

“Não ponho de parte que esse questionário possa vigorar. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que o primeiro-ministro tem responsabilidade”, afirmou.

O que é preciso para o PSD defender a queda do Governo?

Depois da abstenção do PSD na votação da moção de censura ao Governo, Luís Montenegro esclareceu que era preciso que existissem “questões de ingovernabilidade irreparáveis” e “interesse do país em que haja eleições” para que o PSD defendesse a queda do Executivo.

O presidente dos sociais-democratas diz, no entanto, que o que interessa neste momento aos portugueses é “saber como pagam as suas contas”, preocupação que o PSD partilha. “Não ando aqui a brincar a números políticos”, atirou.

“Estou preparado para ir a eleições com António Costa, até gostava de ir com ele, mais do que com Pedro Nuno Santos. Para debater o resultado de sete anos de políticas de empobrecimento que se começam hoje a sentir. Mas vou com qualquer um”.

A relação com o Chega

Montenegro fez questão de rejeitar veementemente qualquer preocupação relacionada com o Chega e negou que o PSD saia fragilizado com o crescimento do partido de extrema-direita.

“Estou focado nos portugueses. O Chega não é a minha preocupação”.

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O futuro

Sobre as eleições europeias, mostrou-se convicto de que o PSD as vai ganhar. Mas deixou a garantia de que será o próprio a abandonar a liderança do partido caso os resultados fiquem muito aquém do esperado. Sobre uma possível recandidatura à liderança dos sociais-democratas, daqui a dois anos, diz que será candidato se essa for a sua “avaliação” na altura.

Questionado ainda sobre a possibilidade de Pedro Passos Coelho se candidatar à Presidência da República, disse que é uma matéria que diz apenas respeito ao próprio, mas que o antigo primeiro-ministro “tem condições e qualificações” para o fazer.

“Passos Coelho tem uma qualificação quase única no país que o habilita a ser quase tudo o que se pode ser numa sociedade. Escolherá o que for melhor e que corresponder às suas vontades e expectativas”, concluiu.

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