País

PJ esclarece que buscas na Câmara de Lisboa não estão relacionadas com Medina ou Costa

PJ esclarece que buscas na Câmara de Lisboa não estão relacionadas com Medina ou Costa
Craig Pershouse/Getty Imagens

Em causa estão "factos em investigação, mais antigos até" do que o mandato de Fernando Medina, disse diretor nacional da Polícia Judiciária. À SIC, a Procuradoria-Geral da República confirmou que as buscas decorreram no âmbito do processo Tutti Fritti.

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, esclareceu esta terça-feira que as buscas na Câmara de Lisboa visam mandatos anteriores a Fernando Medina, mas negou qualquer relação com o mandato de António Costa.

"Quando numa determinada investigação, em que já decorreram buscas, é necessário cirurgicamente encontrar um documento ou ir à procura dele, a PJ e o Ministério Público diligenciam", afirmou Luís Neves, adiantando que "foi isso que aconteceu na Câmara de Lisboa".

Recusando falar sobre a investigação por se tratar de "uma diligência que faz parte do segredo de justiça e do inquérito", o diretor da PJ admitiu apenas que em causa estão "factos em investigação, mais antigos até" do que o mandato de Fernando Medina naquela autarquia.

Questionado sobre se os factos remontam ao mandato do primeiro-ministro, António Costa, enquanto presidente da Câmara de Lisboa, afirmou que "não" e que "quando há suspeitas não tem que ser o mandato de A, B ou C", vincado que "há outras personagens e outros atores que podem ser suspeitos".

Moedas confirma buscas e diz estar a colaborar com as autoridades

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, confirmou a realização de buscas no Departamento de Apoio aos órgãos e serviços municipais da autarquia, dizendo que está a "colaborar com as autoridades judiciais".

"Eu confirmo as buscas. Só fui informado das buscas depois delas terem acontecido. Não tenho nada a acrescentar. Apenas a colaboração total, sabendo que são buscas que não se referem a este mandato", adiantou Carlos Moedas.

O autarca disse ainda que são as autoridades judiciais que "podem clarificar" as buscas.

"Não há nada melhor do que a transparência e a transparência é essencial naquilo que fazemos. A nossa responsabilidade como autarcas é sermos total transparência. Essa transparência comigo é total. Faz parte da vida democrática. À justiça o que é da justiça, à política o que é da política", salientou.

Buscas na Câmara de Lisboa relacionadas com processo Tutti Frutti

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou à SIC que, as buscas desta terça-feira à Câmara de Lisboa, aconteceram no âmbito do processo conhecido por Tutti Frutti, iniciado em 2017 e divulgada um ano depois.

Em causa estão suspeitas da prática de crimes económico-financeiros decorrentes da contratação de pessoal e da adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos, sobretudo do PSD, mas também alguns do PS.

Segundo a PGR, este caso encontra-se em investigação no DIAP de Lisboa e está sujeito a segredo de justiça.

Em 2018, segundo nota da Procuradoria-Geral da República de Lisboa (PGR), foram realizadas cerca de 70 buscas, incluindo escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias "em diversas zonas geográficas do território continental e dos Açores".

No decurso dessas buscas, a PJ apreendeu documentação de, pelo menos, 13 pessoas ligadas à autarquia de Lisboa, que terão recebido avenças por parte do PSD. Os investigadores suspeitam que dirigentes sociais-democratas terão pago serviços e negociado a atribuição de empregos, em troca de favores políticos.

Esta terça-feira, os investigadores analisaram documentos relacionados com processos urbanísticos geridos pelo ex-vereador do Urbanismo Manuel Salgado, durante a presidência municipal de Fernando Medina, atual ministro das Finanças.

Buscas diferentes no espaço de uma semana

No que diz respeito às buscas anteriores, no departamento do Urbanismo, o Ministério Público constituiu seis arguidos: três sociedades e os respetivos representantes legais. Fernando Medina que era, à data dos factos sob investigação, o autarca já admitiu publicamente desconhecer a investigação.

Em causa nesta investigação estão "suspeitas de corrupção, participação económica em negócio e falsificação", numa nomeação para “prestação de serviços que foi assinada em 2015" pelo então presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), que é agora ministro das Finanças.

A Câmara de Lisboa confirmou as buscas no departamento de Urbanismo, mas remeteu mais esclarecimentos para as autoridades judiciais.

Últimas Notícias
Mais Vistos