Depois do caso revelado pela SIC de maus-tratos num lar da Lourinhã, segue-se uma nova denúncia, agora por falta de cuidados na higiene dos utentes.
Desta vez, em Santa Maria da Feira, o centro social e paroquial de Argoncilhe, onde estão cerca de 40 utentes, é acusado de falta de higiene nos cuidados aos utentes. Uma situação que terá piorado no último ano e meio.
À SIC, uma fonte próxima do lar relata de que forma são prestados os cuidados de higiene aos utentes da instituição e refere as grandes dificuldades que são enfrentadas pela falta de meios
A higiene dos utentes é feita “com resto de pijamas, de panos da loiça”
"Retiraram toalhetes, está a ser feitas higiene pessoal com resto de pijamas, de panos da loiça, que nem consigo identificar muito bem o que é aquilo. Temos dias em que temos sete banhos de manhã. Com três funcionárias, é impossível, por mais que a gente queira fazer o melhor não consegue. Depois, são utentes que não têm mobilidade nenhuma. As roupas dos utentes são lavadas... não são desinfetadas.", disse fonte à SIC.
É ainda apontada a falta de auxiliares para todo o serviço. De dia há três funcionárias por turno, à noite são duas.
"De duas em duas horas ou de três em três horas, deveríamos fazer mudança de fralda e não conseguimos. Estão sentados todo o dia, os posicionamentos não são feitos. É uma ou duas vezes por turno e não deveria ser. E os utentes estão a ficar vermelhos. Comida e tudo normal fica para outro dia para fazer comidas pastosas, porque há utentes que só comem tudo ralado.", revela.
Quem denuncia pede anonimato por receio de represálias, pelo facto de expor a situação de funcionárias que terão de fazer serviços para os quais não estão qualificadas.
"Damos insulina, não somos enfermeiras para o fazer"
"Todo o tipo de acontecimentos somos nós. Temos utentes a quem damos sondas. Somos obrigadas a dar, isso é enfermagem, que eu tenho de fazer. Não somos especializadas em enfermagem para tal. Damos insulina, não somos enfermeiras para o dar.", é o testemunho de alguém que conhece a realidade da instituição.
A situação terá piorado a partir de julho do ano passado altura em que terá havido cortes nas despesas diárias. "Há sempre retenção de custos, foi o que nos disseram. Retenção de custos só na higiene dos utentes, porque para quem está na direção, não há retenção de custos nenhuns. Entraram há pouco tempo duas funcionárias, uma psicóloga e uma senhora que é fisioterapeuta. Praticamente não estão lá.", acusou.
Contactado pela SIC, o centro social e paroquial de Argoncilhe não quis prestar declarações sobre esta denúncia.
