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Vítor Escária vai declarar os 75.800 euros encontrados em São Bento

Em 2022, o antigo chefe de gabinete de António Costa retificou o IRS em 40.000 euros e a partir de 1 de abril vai declarar o mesmo valor em sede de IRS de 2023.

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O ex-chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária, já declarou ao fisco parte dos 75. 800 euros que foram descobertos na residência oficial do primeiro-ministro, aquando das buscas realizadas no âmbito da Operação Influencer.

O advogado de Vítor Escária, Tiago Rodrigues Bastos, revelou, em entrevista ao programa Justiça Cega da Rádio Observador, que o cliente "já declarou ao Fisco o valor que auferiu no ano fiscal de 2022", tendo já retificado a declaração de IRS. O advogado disse ainda que o ex-chefe de gabinete de Costa vai também declarar o valor relativo ao ano de 2023.

O valor declarado em 2022 e 2023 perfaz um total de 80.000 e não de 75.800 euros, isto porque Escária gastou, antes das buscas a São Bento, 4.200 euros dos 80 milhares que ganhou em serviços de consultadoria, de acordo com o que o próprio disse ao juiz de instrução criminal.

Assim sendo, em 2022 o antigo chefe de gabinete de António Costa retificou o IRS em 40.000 euros e a partir de 1 de abril vai declarar o mesmo valor em sede de IRS de 2023.

“Não há um cumprimento das formalidades legais”

Por este motivo, o advogado considera que não existem motivos para uma investigação por alegado crime de fraude fiscal. Contudo, reconhece que "não há um cumprimento das formalidades legais relativamente à parte auferida em 2022".

Acerca da origem do dinheiro, Tiago Rodrigues Bastos aponta que o que o cliente lhe transmitiu é que os fundos tiveram origem da atividade de consultor exercida anteriormente ao cargo de chefe de gabinete de Costa.

No seu entender não há, por isso, motivo para que o Ministério Público investigue a origem dos 75.800 no âmbito da Operação Influencer.

Confessa que Vítor Escária tem consciência de que cometeu um erro "que não devia ter acontecido" e que, consequentemente, "manchou" a imagem do Governo.

Na mesma entrevista à Rádio Observador, o advogado pronunciou-se acerca da campanha do IKEA que se tornou viral e que faz referência à quantia encontrada no gabinete de Escária. Garantiu que o cliente não vai agir contra a empresa porque “as coisas são como são”.

"Se não formos capazes de encarar com alguma bonomia e alguma descontração, então atiramo-nos ao mar", afirmou.