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Duplo homicídio no Pico: o que sabe a testemunha que a polícia nunca ouviu

A SIC falou com uma testemunha nunca ouvida pela polícia e que relava pela primeira vez o que viu. Viu fumo e cheirou-lhe a uma espécie de "torresmos", mas só dois dias depois é que soube do duplo homicídio naquele local.

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O principal suspeito do duplo homicídio que aconteceu na ilha do Pico, nos Açores, em 2022, arrisca a pena máxima de 25 anos de prisão. A audiência desta quinta-feira foi suspensa ainda antes da leitura da sentença no tribunal de São Roque do Pico. A SIC falou com uma testemunha que nunca foi ouvida pela polícia e que relata agora pela primeira vez o que viu.

Estávamos em setembro e José, nome fictício, trabalhava no mar ao largo da ilha do Pico.

"Estava a mergulhar e depois eu e um colega meu chegámos mais perto dessa casa e demos pelo cheiro que parecia ser de torresmos. Depois ao fim de um dia ou dois é que tivemos conhecimento que ele tinha matado os dois sujeitos e pegou-lhes fogo com lenha", conta.

Esta testemunha, que pediu para não ser identificada, não tem dúvidas do que sentiu e viu junto à casa de Tomislvav Josic e da companheira, Ruth Hager, onde terão ocorrido as duas mortes.

Questionado se viu o fumo, garante que sim. E sentiu o cheiro durante as cerca de cinco horas que esteve no mar.

Este testemunho não chegou às autoridades.

Um ano e meio depois do desaparecimento de Mário Sobral e Mário Coucelos o caso não está esquecido e causou alarme social na ilha.

"Foi muito assustador. Eu própria quando passava tinha de fechar os vidros, as portas, trancar mesmo. É um sítio sem luz, um bocadinho assustador. Ficámos em choque", refere Alexandra Borges, moradora.

Quem vive e trabalha por aqui prefere não falar com a câmara ligada. No café onde trabalha, Alexandra vai conversando com quem aqui vem e todos esperam o mesmo.

"Estão com fé que se faça justiça e que venha a verdade para fora", diz à SIC.

Tomilslav Josic está em prisão preventiva e responde por dois crimes de homicídio qualificado, dois de profanação de cadáver e um de detenção de arma proibida.

A companheira está em liberdade acusada de três crimes: profanação de cadáver e detenção de arma proibida.

O principal suspeito deste caso arrisca uma pena única que pode ir até aos 25 anos de prisão.