A maior farmacêutica portuguesa está a celebrar 100 anos. Criada em abril de 1924, a Bial é a primeira e única empresa do ramo em Portugal a produzir e vender fármacos de investigação própria e de patente nacional. A empresa é gerida pela mesma família há quatro gerações e aposta, sobretudo, nas doenças neuro-degenerativas. Mas o primeiro medicamento de sucesso da Bial, que começou a ser vendido há quase um século, era para uma patologia bem diferente.
Álvaro Portela passou de funcionário a patrão quando, em 1924, fundou a Bial.
Apenas cinco anos depois a farmacêutica tinha já no mercado o primeiro medicamento próprio: o Benzo-Diacol, que era um "medicamento para a tosse" campeão de vendas.
Mas esse era apenas o início da história de sucesso de uma empresa que, este ano, celebra um século de existência.
Gerida pela família Portela há quatro gerações, a Bial ocupa agora uma área de 24 hectares, na Trofa. Foi já a partir destas instalações que, em 2009, lançou no mercado um medicamento para o tratamento da epilepsia, o primeiro fármaco totalmente desenvolvido em Portugal.
Internacionalização que deu um forte impulso à empresa mas que de início causou também algum nervosismo a quem participava na produção dos primeiros lotes deste medicamento, que custou mais de 300 milhões de euros.
Em 2016, a Bial passou por um momento crítico quando um homem morreu em França durante um ensaio clínico da farmacêutica.
O projeto foi abandonado.
Mas é também nesse ano que sai para o mercado o Ongentys, para doentes de parkinson, o segundo medicamento desenvolvido pela empresa comercializado na Europa, Estados Unidos, Japão ou Austrália. Um salto que, numa década, fez triplicar a faturação que, em 2023, atingiu os 340 milhões de euros. 20% desse valor é, todos os anos investido em investigação e desenvolvimento.
Neste momento, o projeto em fase mais avançada é um novo fármaco para a doença de parkinson.
Mas as 11 mil doenças raras identificadas, a maioria sem qualquer tipo de tratamento estão também no radar da farmacêutica portuguesa.
Com presença em 50 países, a Bial tem como principais mercados Espanha e os Estados Unidos. Apesar do próximo presidente norte-americano ameaçar impor tarifas a todas as importações, António Portela não prevê que o negócio da empresa possa ser prejudicado.
Criada há 100 anos, a Bial é a única farmacêutica do país com fármacos de investigação própria e de patente nacional comercializados. Produz anualmente 12 milhões e meio de embalagens de medicamentos.
