O administrador da REN-Redes Energéticas Nacionais, João Faria Conceição, fez um ponto da situação ao final da tarde desta segunda-feira, dando conta de que a energia já começou a ser reposta mas, reconheceu, que o processo vai estender-se noite dentro e vai demorar mais na Grande Lisboa.
“Espero que consigamos ter o sistema totalmente equilibrado durante esta noite” e, vincou, “no que depender da REN, o país vai acordar amanhã [terça-feira] com eletricidade”. Acontece que, “não é só a REN que conta, é todo um sistema e (…) estamos a interagir da forma mais cuidadosa que sabemos, para garantir que não damos passos em falso”.
Numa situação destas, "é absolutamente crucial não dar passos em falso", sob pena de comprometer toda a recuperação efetuada até ao momento.
Previsões da REN: 20h30 Porto, 23h30 Lisboa
João Faria Conceição indicou que as previsões dependente da zona do país. “A expectativa é que consigamos chegar à zona do Grande Porto dentro de duas horas”, mas a situação na “Grande Lisboa vai demorar mais tempo” mas a madrugada pode ser uma ajuda preciosa.
"A nossa expectativa é os consumos prioritários em Lisboa possam estar ligados no espaço de cinco a seis horas", avançou em conferência de imprensa, em Sacavém, concelho de Loures
O administrador da REN explicou o porquê da demora em Lisboa: “Há menos centrais elétricas nas proximidades”, mas a Central de Castelo de Bode e “alguma capacidade de ligação retomada com Espanha há cerca de uma hora, poderão ajudar”.
Causa do apagão ainda sem explicação
No início desta declaração, João Faria Conceição, confirmou que o que se passou esta manhã afetou "toda a rede de muito alta tensão". Mas quanto às causas "ainda não conseguimos com toda a certeza apontar para uma causa concreta".
Ainda assim, indicou que, momentos antes das 11h33 - hora do apagão - "houve uma grande oscilação de tensões verificada na rede espanhola, naquele momento o sistema elétrico português estava em importação - o que tem sido normal nestes últimos dias para aproveitar uma energia mais barata que é produzida em Espanha" - e existiu esta oscilação de tensões ao ponto de “os sistemas de controlo e proteção de todas as centrais por [segurança] disparam” - algo equivalente ao que acontece com os disjuntores do quadro elétrico de uma habitação.
A partir daí, “há um desequilibrio total entre a produção e os consumos, e o sistema veio todo abaixo”.
300 mil consumidores já ligados
Apesar de ser uma informação “muito preliminar”, o administrador da REN revelou que “cerca de 300 mil consumidores já estão ligados”, o que “quando temos dois milhões no país, ainda é muito pouco, queremos obviamente alargar isto".
Mas, vincou, “a prioridade são os consumos prioritários, (…), se conseguirmos tudo o resto mais cedo, é sobre isso que estamos a trabalhar”, garantiu João Faria Conceição, dizendo que “todas equipas da REN estão espalhadas pelo país” porque "tudo o que funciona num sistema normal está [neste momento] bloqueado.
Com abastecimento 100% português "ia acontecer o mesmo"
Questionado sobre se Portugal está dependente de Espanha, o administrador da REN explicou que Espanha só conseguiu uma recuperação mais rápida porque “França deu apoio”, enquanto nós, Portugal, “não tivemos apoios” porque estava em blackout.
Quanto ao facto de estarmos dependentes dos vizinhos espanhóis, João Faria Conceição afastou essa condição: “O país podia estar a ser totalmente abastecido com energia 100% portuguesa e se tivessemos uma situação de apagão, o que iria acontecer era exatamente o mesmo”.
“Prioridade agora é recuperar os consumos, depois temos de fazer uma avaliação muito cuidada sobre o que aconteceu, o que pode ser ajustado e melhorado. Ninguém consegue garantir, todos temos seguros nas nossas vidas e isso não quer dizer que não tenhamos acidentes, no sistema elétrico passa-se exatamente a mesma coisa”, concluiu, reiterando não haver indícios de ataque informático ou da queda de uma avião, como chegou a ser referido ao longo do dia.
[Notícia atualizada às 19:54]