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Apenas 39% das vagas abertas para médicos de família foram ocupadas

No Estuário do Tejo e Alto Alentejo não houve nenhum médico colocado. O valor é o mais baixo dos últimos três anos numa altura em que aumentam os utentes sem médico de família. 

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Acabaram a especialidade, mas muitos dos médicos de medicina geral e familiar não ficam no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Das 585 vagas abertas no último concurso, só 231 foram ocupadas. Uma percentagem de 39%. Superior a 2023 e 2024, embora nestes dois últimos anos tenham sido abertas mais vagas.

Segundo a Administração Central do Sistema de Saúde, no Estuário do Tejo e no Alto Alentejo, todas as vagas disponibilizadas ficaram por ocupar. Para a associação explica-se também com a inexistência de concursos de mobilidade.

“Permitiam que os médicos de família aceitassem vagas em locais que não eram da sua preferência, com a perspetiva que a curto/médio prazo poderem se aproximar dos locais de preferência. A existência desses concursos de mobilidade faz com que esses médicos acabem por não escolher nenhuma vaga e fiquem fora do SNS”, diz António Luz Pereira da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

O ministério tem assumido que quer baixar o número de utentes sem médico de família, mas no sentido inverso são cada vez mais. Em maio eram 1 644 807, mais 11 106 pessoas do que no mês anterior.

O número de inscritos no SNS tem aumentado devido aos migrantes. Em maio houve mais 21 mil inscritos do que no mês anterior. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais preocupante, 30% dos utentes não têm médico de família. Segue-se o Algarve, Alentejo, região Centro e Norte do país.

No final da passada semana foi lançada uma petição pública para levar ao Parlamento a discussão de alterações ao concurso Pede-se mais flexibilidade e concursos de mobilidade regulares.