O rio Guadiana marcou muitos dos confrontos entre portugueses, espanhóis e muçulmanos. No concelho do Alandroal, há vários castelos que o atestam. É o caso do de Terena e sobretudo da fortaleza de Juromenha.
Não se sabe ao certo quando o castelo de Terena começou a ganhar forma. Aponta-se à primeira metade do século XIV e ao Rei Afonso IV, mas só concretizado pelo neto D. Fernando.
Bem depois, a torre foi transformada em residência e a arquitetura incluiu elementos do século XVI, mas passaram os anos e muito acabou por desaparecer, incluindo as casas que existiam dentro das muralhas. Mas o castelo foi resistindo e teve intervenções durante todo o século XX.
Porque há muito para apreciar, a autarquia do Alandroal planeia fazer uma recuperação de fundo e até a criação de um museu.
Mas há outra estrutura fortificada em Terena, o santuário de Nossa Senhora da Boa Nova. É dos poucos em Portugal com ameias, merlões e até um mata cães. Na origem, diz a lenda, está a rainha portuguesa de Castela, filha de D. Afonso IV, em vésperas da decisiva Batalha do Salado.
Os portugueses apostaram muito noutro castelo, bem encostado ao rio Guadiana, em Juromenha. Na raia, foram-se repetindo os momentos de conquista e derrota em ambos os territórios. Juromenha não foi exceção.
A importância estratégica e as batalhas fizeram evoluir a estrutura para uma fortaleza, que chegou a albergar 2 mil militares, além da população civil. É um sítio com raízes muito profundas a guardar as fronteiras de Portugal
No entanto, a fortificação deste ponto do Rio Guadiana remonta a eras bem mais antigas, como denuncia uma das torres que subsiste da cerca islâmica do castelo. Noutra das torres também foram usadas pedras que remontam aos visigodos.
É toda esta história que dá à fortaleza um caráter ímpar, seja numa cadeia que foi revestida no mármore típico da zona para evitar as fugas ou nas imensas muralhas em taipa acabadas de recuperar com os métodos e materiais da altura.
Camada sobre camada, este espaço revela aos visitantes inúmeras histórias.
Depois de quase 3 anos fechada e 5 milhões de euros investidos na recuperação, a fortaleza reabriu em maio. Está também incluída no programa Revive, para futuro investimento hoteleiro. Tudo para que desta vez seja, não uma barreira, mas uma porta de entrada para o Alandroal e o Alentejo.
