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FNAM marca greve dos médicos para dia 24 de outubro após reunião de "pensos rápidos" com ministra

Presidente da FNAM alerta que haverá um "encerramento permanente de serviços de urgência", sobretudo "os de obstetrícia no Barreiro e Setúbal".

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A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) convocou greve dos médicos para dia 24 de outubro depois de uma reunião esta manhã com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em Lisboa.

Joana Bordalo e Sá indicou que se adivinhava uma reunião como "pouco produtiva" uma vez que não foram enviados documentos previamente e advertiu que a população "continuará desprotegida" porque haverá um "encerramento permanente de serviços de urgência", sobretudo "os de obstetrícia no Barreiro e Setúbal".

Foram apresentados três diplomas, um dos quais o complemento que ronda os 500 euros. Para a presidente da FNAM, "este tipo de pensos rápidos não resolve a situação", além de que, o que afirma ter sido apresentado aos médicos foi um "facto consumado" e não uma discussão.

"O que vai acontecer é que a população vai continuar desprotegida. E vamos continuar a ter as grávidas e bebés a correrem quilómetros e quilómetros para serem assistidos, para terem que ir para a Almada, e vamos continuar a ter os bebés a nascer nas ambulâncias. Já nasceram 63", sublinhou a médica do IPO do Porto.

Joana Bordalo e Sá alerta ainda que "o que devia estar a ser discutido devia ter sido as condições de trabalho para que sejam justas, salários que sejam melhorados para os médicos estarem no Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

"A FNAM trouxe propostas, trouxe as soluções, mas infelizmente há aqui uma obstaculização enorme por parte deste Governo de Luís Montenegro em discutir e implementar as medidas que são necessárias para ter mais médicos no SNS. E, por isso, a Federação Nacional dos Médicos decretou greve para o dia 24 de outubro para todos os médicos a nível nacional e nas ilhas na defesa do SNS", concluiu em declarações à SIC.

A reunião está marcada precisamente no mesmo dia da greve da Função Pública.

O encontro surgiu após a ministra ter anunciado, a 8 de outubro, “diplomas para negociar com os sindicatos sobre urgências regionais” e, ainda durante o verão, ter lançado medidas relacionadas com a “regulação do trabalho à tarefa no SNS e o diálogo com os sindicatos”.