Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto eleito nas últimas autárquicas, já decidiu que não partilhará qualquer pelouro com o PS, apesar de socialistas e socias-democratas terem elegido ambos seis vereadores. Na sua passagem pela SIC Notícias, o autarca diz ainda que, apesar de não concordar com a mensagem transmitida, entende que o Chega tem "toda a legitimidade" para colocar nas ruas os cartazes que bem entender.
O recém-eleito autarca do Porto garante que os sociais-democratas pretendem “fazer vingar” o seu projeto político para a cidade, “que é manifestamente diferente” daquele que os socialistas elaboraram, apesar de PS e PSD terem elegido ambos seis vereadores.
“Evidentemente, com capacidade de diálogo, de abertura, para tentarmos convergir naquilo que nos parecer mais importante para o interesse da cidade, mas não vamos chegar a qualquer acordo de governação com ninguém”, assume.
Não entende, por isso, que terá de dividir pelouros com Manuel Pizarro, o cabeça de lista do Partido Socialista na cidade.
Apesar disso, não deixará de ouvir os contributos da oposição, não só do ex-ministro da Saúde como também dos restantes vereadores.
Pedro Duarte está convicto de que, em conjunto com os cinco vereadores sociais-democratas, conseguirá executar o plano que traçou para os próximos quatro anos.
“Mas vereadores com pelouros apenas existirão aqueles que, de facto, se reverem na íntegra no projeto político que eu lidero”, frisa.
Anuncia ainda que escolheu Catarina Araújo para o cargo de vice-presidente da Câmara.
A prioridade "absoluta"
Agora que chegou ao poder, o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares define como prioridade “absoluta” a matéria da segurança na cidade.
“É essencial que as pessoas sintam a segurança, a serenidade, a tranquilidade suficiente para poderem usufruir do espaço público e, portanto, essa será a base das bases, eu diria. Para isso vamos precisar, evidentemente, fazer muita coisa ao nível municipal e vamos fazê-lo.”
Lembra também que, para ter sucesso neste âmbito, terá de contar com a cooperação do Governo Central, já que “muitas matérias são questões de soberania nacional”.
“Eu posso ser o pior pesadelo da Ministra da Administração Interna ou posso ser o seu melhor aliado. Eu quero ser o seu melhor aliado e, portanto, espero que haja abertura do Governo, designadamente do Ministério da Administração Interna, para perceber que na cidade do Porto, em particular, estamos a viver uma circunstância que precisa de uma ação de emergência”, aponta.
O PSD fez da Associação Nacional de Municípios uma grande meta destas autárquicas e conseguiu ganhá-la, mas o Porto não é um dos membros já que Rui Moreira decidiu sair, mas o atual presidente deixa a garantia:
“Proporei de imediato que o Porto regresse à Associação Nacional de Municípios, até porque as razões que levaram a sair hoje em dia estão completamente ultrapassadas e não há nenhuma justificação para o Porto não integrar a Associação Nacional de Municípios.”
Nega, contudo, que será o próximo presidente da mesma.
Os polémicos cartazes do Chega
Relativamente aos polémicos cartazes de André Ventura, que, evidentemente, também estão expostos no Porto, Pedro Duarte diz que não se revê na forma de fazer política do Chega, partido que acusa de, de forma propositada, polarizar a sociedade de forma a sobressair, no entanto entende que enquanto autarca não deve tomar uma decisão sobre a colocação ou a remoção dos mesmos:
“E, portanto, que fique claro, eu manifestei a minha opinião política sobre aquilo que acredito que é uma mensagem negativa da parte do Chega, mas isso não quer dizer que eu não ache que o Chega tenha toda a legitimidade para a proferir. E, portanto, são matérias diferentes. E eu acho que uma verdadeira democracia é nós aceitarmos qualquer espécie de posicionamento, até aqueles que atacam a própria democracia. E uma posição de tolerância é nós sermos tolerantes precisamente com aqueles com os quais não concordamos. Porque sermos tolerantes com quem concordamos é relativamente simples.”
O Orçamento do Estado para 2026 foi aprovado, na terça-feira, com a abstenção do PS e o voto contra do Chega, uma decisão que o autarca explica com o facto de o partido de Ventura querer “marcar uma posição política, apesar de não ter muitos argumentos”.
Já quanto ao PS, Pedro Duarte considera que “tomou a única posição que eu acho que era aceitável para um partido com a história do Partido Socialista”.