Brincar é um direito reconhecido na Declaração Universal dos Direitos das Crianças, mas o que se tem vindo a verificar é que, cada vez mais, esse direito é posto em causa. E porquê? A falta de tempo, a correria do dia a dia e o cansaço dos pais são apontados como os principais fatores.
Um estudo nacional promovido pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC) e realizado em parceria com a Estrelas & Ouriços e a Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) concluiu que mais de metade das crianças em Portugal - 52% - brinca menos de uma hora por dia com a família e apenas 9% das crianças têm entre duas e três horas de brincadeira diária em contexto familiar. O estudo envolveu famílias e cuidadores de crianças até aos 10 anos.
A propósito deste tema, esta quinta-feira, a Estrelas & Ouriços, o IAC e a ESEC juntaram-se na 6.ª conferência "Como Brincam as Crianças em Portugal" para falar sobre os desafios atuais, o papel da tecnologia e como é que esta pode passar de obstáculo a aliada e a importância do espaço onde as crianças brincam.
Sobre a tecnologia e a sua presença tão forte nos dias de hoje, Madalena Nunes Diogo, diretora-geral da Estrelas & Ouriços, diz que esta "tem de ser integrada no brincar e também como solução para brincar".
Acredita que, se for uma integração feita de forma consciente e estruturada, "só temos a ganhar com isso".
Entre os oradores estiveram médicos especializados em pediatria e psicologia clínica, professores e responsáveis de projetos que têm como objetivo fomentar o movimento motor nas crianças, como é o caso do projeto "Pela Cidade Fora", da EMEL, e "Escola Ativa", do município de Viseu.
Para o pediatra Hugo Rodrigues, brincar é a atividade mais importante da infância.
"Eu diria que é a única atividade que nós conseguimos proporcionar às crianças e que vai estimular todas as áreas do desenvolvimento."
Ana Lourenço, coordenadora do Setor HuB – Humanização e Direito a Brincar do IAC, sublinha também a importância do ato de brincar na felicidade, no bem-estar e no desenvolvimento físico e social das crianças.
"Brincar é um direito da criança. Por mais que o mundo se altere, os direitos da criança são primordiais e brincar é um desses direitos. Nós enquanto sociedade temos que debater de que forma é que estamos a dar oportunidades para as crianças brincarem", afirmou, em declarações à SIC.
A conferência decorreu no Edifício Impresa, em Paço de Arcos, e teve direito a uma cobertura especial: uma equipa de mini repórteres SIC Explica.me e Expressinho.
Pode assistir à conferência na íntegra.


