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Família da grávida e da recém-nascida que morreram no Amadora-Sintra contradiz ministra

Quase tudo o que é contado pela família da grávida que morreu no Amadora-Sintra, assim como a filha, contradiz as afirmações da ministra da Saúde, que disse no Parlamento que a grávida não tinha sido acompanhada durante a gravidez. A família nega e apresenta provas.

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A família da grávida de 38 semanas e da bebé recém-nascida que morreram no Amadora-Sintra, contradiz as afirmações da ministra da Saúde. Garante que a mulher estava a ser acompanhada no centro de saúde, onde teve pelo menos duas consultas, e que foi referenciada para o Hospital Amadora-Sintra por ter uma gravidez de alto risco. 

Quase tudo o que é contado pela família da grávida que morreu no Amadora-Sintra, assim como a filha, recém-nascida contradiz as afirmações da ministra da Saúde, que, na Assembleia da República, quando questionada pelos deputados sobre o caso, respondeu que “era uma grávida que na não teve acompanhamento até à data que entrou” no hospital com 38 semanas. 

Paloma Mendes, amiga da vítima, diz que a mulher já vivia em Portugal há um ano. Foi à Guiné-Bissau visitar o marido e regressou a Portugal grávida, no início do segundo trimestre da gravidez. 

Família e amigos, que falam em "declarações infelizes" da ministra, mostram provas de que estava a ser acompanhada no Centro de Saúde de Agualva-Cacém antes da primeira consulta no Amadora-Sintra. 

A 14 de julho, foram-lhe prescritos exames médicos. Um mês depois, a 14 de agosto, foi referenciada ao hospital por ter sido identificado "elevado risco obstétrico". 

A grávida foi depois chamada para consulta no Amadora-Sintra mais de um mês e meio depois. 

Tinha sido identificada hipertensão elevada

A 17 de setembro, o hospital diz que não foram registados problemas. Quase um mês e meio depois, na quarta-feira da semana passada, a grávida de 38 semanas regressou ao hospital para nova avaliação médica.  

Nessa altura, os médicos identificaram uma hipertensão ligeiramente elevada. Foi encaminhada para as urgências, mas após análises e exames, disseram que não justificava internamento. Teve alta e foi mandada para casa. 

Um dia depois, sentiu  falta de ar e dor torácica, tendo chamado a emergência médica. 

A família diz não compreender o tempo demorado até ter tido assistência. 

Já em paragem cardiorespiratória, entrou no hospital e, apesar das equipas médicas terem respondido com suporte avançado de vida e extração do bebé, a criança nasceu em estado crítico e acabou por morrer na manhã deste sábado. 

A família aguarda agora pelas respostas dos  vários inquéritos abertos pelo hospital, Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e pelo Ministério blico.