País

Entrevista SIC Notícias

"Não deixa de ser curioso que as greves gerais acontecem sempre que os governos não são de esquerda"

Por considerar que a CGTP “é o braço armado sindical” do Partido Comunista Português, Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, não acredita que seja possível ao Executivo chegar a acordo com o sindicato para evitar uma paralisação que será, garante, prejudicial para o país e para os cidadãos.

Loading...

O primeiro-ministro diz que a greve geral agendada para diz 11 de dezembro serve os interesse de PCP e PS, ideia que o social-democrata Hugo Soares subscreve, deixando no ar, em entrevista à SIC Notícias, a ideia de que “tem de haver outros motivos” para que a greve fosse convocada.

“O que parece estar em causa é uma espécie de greve preventiva que eu nunca vi. Sejamos francos, nunca aconteceu. Não deixa de ser curioso que as greves gerais acontecem sempre que os governos não são de esquerda ou de extrema-esquerda [...] Durante os governos de António Costa, apoiados pelo PCP, nunca houve uma greve geral”, começa por notar o líder parlamentar do PSD. 

Por considerar que a CGTP “é o braço armado sindical” do Partido Comunista, Hugo Soares não acredita que seja possível ao Executivo chegar a acordo com o sindicato, caso que, no que toca à UGT, segundo o mesmo, muda de figura: 

“[A UGT] quer negociar com o Governo, que é isso que está a acontecer”, acrescenta antes de garantir que o Executivo liderado por Luís Montenegro também “está a ceder até onde acha razoável ceder”. 

O líder parlamentar do PSD lembra ainda que, se a greve avançar, o país e os cidadãos sairão prejudicados. 

Novamente no ataque ao PCP, o social-democrata acusa o partido liderado por Paulo Raimundo de ter estado “desaparecido da rua” durante a governação socialista e de regressar agora apenas porque “não suporta, do ponto de vista partidário,” o atual Governo. 

A "vontade férrea do Governo”

A revisão laboral que o Executivo pretende levar a cabo tem o intuito, de acordo com o líder parlamentar social-democrata, de reforçar a qualidade de vida dos trabalhadores e da conciliação da vida pessoal com o trabalho”: 

“Essa medida está em negociação com os parceiros sociais”, reforça, assegurando ainda que o Governo está disponível para fazer alterações. 

“Temos de ser mais ambiciosos e para sermos mais ambiciosos é preciso transformar o país a vários níveis, também na legislação laboral. O meu apelo é que seja possível no âmbito da Concertação Social, com responsabilidade, chegarmos a um acordo com os parceiros sociais. Essa é a vontade férrea do Governo”, assume. 

Posteriormente, congratula o Executivo pelo trabalho que tem vindo a apresentar na matéria das pensões e assegura que, se existir margem para tal, para além do aumento já anunciado, será pago, em 2026, um suplemento extraordinário, como tem vindo a acontecer.  

Acerca da descida do IRC, Hugo Soares esclarece que as pequenas e médias empresas “são as primeiras beneficiárias” da medida, apesar de as de maiores dimensões também saírem beneficiadas: 

“O que o Governo está a fazer é dizer às pequenas e médias empresas que nós queremos que elas tenham condições para ser grandes. Um país que se queira crescer como nós queremos não deve ser um país de inveja. Deve ser um país onde as pequenas e médias empresas devem ter condições para passarem a médias, para passarem a grandes e, já agora, às grandes a multinacionais. 

Acordo do PSD com o Chega em Sintra

Já sobre o acordo do PSD com o Chega na Câmara Municipal de Sintra, Hugo Soares refere que as autarquias têm o poder de estabelecer acordos governativos, negando, assim uma aproximação ao partido de André Ventura. 

Não deixa, porém, de apontar o dedo ao PS acerca desta matéria: 

“[José Luís Carneiro] pode ter ficado um pouco encalacrado depois de ter garantido que não havia um acordo de uma autarca do Partido Socialista com o Chega e eles estão a acontecer às dezenas.”