Presidenciais

Entrevista

Catarina Martins em entrevista à SIC Notícias sobre a candidatura a Belém

A eurodeputada, ex-coordenadora do Bloco de Esquerda e candidata à Presidência da República, afirma que Portugal precisa de respostas diferentes das dos restantes candidatos. Catarina Martins garante que continuará a fazer frente à extrema-direita e apresenta-se como uma garantia para o Estado de direito democrático.

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Catarina Martins apresentou a sua candidatura à Presidência da República no passado mês de outubro, na cidade do Porto. A eurodeputada e ex-coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) afirma querer ser “a Presidente que protege a democracia, uma democracia forte que esteja presente em todos os aspetos das nossas vidas”.

Em entrevista à SIC Notícias, Catarina Martins, que conta com o apoio do BE, sublinha que a esquerda deve reconsiderar o seu posicionamento e as propostas apresentadas, em particular para conter o avanço da extrema-direita, reconhecer os erros e procurar soluções em diálogo com "toda a gente".

Para a candidata a Belém, o Presidente da República deve ser guardião das instituições do Estado democrático e utilizar a sua magistratura de influência para promover debates políticos que possam contribuir para soluções para o país.

"Eu acho que é muito importante ter uma candidatura nestas eleições e é por isso que me apresento: uma candidatura que não tenha medo de afirmar que Portugal pode ser melhor, que não tenha medo de enfrentar o discurso do ódio e de afirmar que nós não somos assim. Portugal não é um país do ódio, é um país de democracia, de respeito e de solidariedade. Esta era a proposta que faltava, e eu estou aqui."

Catarina Martins considera que a campanha conta com candidatos que prometem deixar o país "na mesma ou pior", dando como exemplo António José Seguro e Luís Marques Mendes, acrescentado que é preciso ter "respostas diferentes".

"Não desisto de fazer frente à extrema-direita"

Questionada sobre se viabilizaria um Governo do Chega caso este vencesse as próximas eleições legislativas, Catarina Martins garante que nunca violaria a Constituição portuguesa, mas sublinha que nunca deixará de enfrentar a extrema-direita.

"Qualquer outra maioria que seja possível formar, eu trabalharei para ela, e isso está dentro do âmbito de atuação do Presidente da República. Acho que, num contexto em que a direita tem cada vez mais poder em Portugal, uma Presidente da República de esquerda, que cumpra sem hesitações a Constituição da República Portuguesa, representa uma enorme segurança para o nosso Estado de direito democrático."

Na ordem do dia está a mensagem de apoio do vice-presidente do Chega, Pedro Frazão, ao congresso do grupo de extrema-direita Reconquista. Catarina Martins acusa o partido de André Ventura de apoiar um "grupo de criminosos" e de violar a lei de forma sistemática.

"Lei laboral? Merecia veto presidencial"

O secretário-geral da CGTP anunciou uma greve geral para 11 de dezembro, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, em Lisboa. Catarina Martins considera que a proposta do Governo para a revisão laboral apresenta problemas: "Quando a lei estiver aprovada, será tarde demais para lutar".

A candidata critica ainda a posição dos restantes candidatos sobre o tema e defende que a lei merecia um veto presidencial.

[Artigo atualizado às 22:41 a 10 de novembro de 2025]