Henrique Gouveia e Melo considera que se podia ter ido mais longe nas negociações da reforma laboral. O candidato à Presidência da República defende que Governo e trabalhadores têm de ser mais flexíveis. Já o presidente do Parlamento, Aguiar-Branco, espera que o diálogo entre o Executivo e os sindicatos ainda possa acontecer.
Às mãos da ministra do Trabalho, já chegou o documento que dá o passo em frente para a greve geral a 11 de dezembro. Às mãos da CGTP ou da UGT, por sua vez, não chegou nenhuma tentativa de aproximação do Governo.
A proposta para a reforma laboral chegou à concertação social no verão. Depois de meses sem alterações de fundo, o Executivo enviou uma nova proposta à UGT, com algumas cedências, para tentar travar a greve. O líder da UGT sentiu-se encostado à parede e admitiu aumentar o período de greve de um para dois dias. A ideia não foi, contudo, agarrada pela CGTP.
Olhando de fora para a situação, Gouveia e Melo afirma que há propostas, na nova reforma laboral, que “não fazem muito sentido”.
“Precarizam demasiado o trabalho”, afirma.
Por isso, o candidato a Belém defende que se poderia ter "negociado mais”.
“Acho que o Governo tinha de flexibilizar mais, as entidades que representam os trabalhadores também.”
"Diálogo deve ser esgotado ao máximo antes de haver greve"
Ainda sem o diploma final aprovado pelo Conselho de Ministros, a lei terá de passar antes pelo Parlamento. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, está confiante de que ainda será possível evitar a greve.
"O diálogo e o debate deve ser esgotado ao máximo antes de haver uma situação de greve. Portanto, eu acredito e espero que esse espaço de diálogo possa ainda acontecer”, declarou.
Já o líder do PS, José Luís Carneiro, chegou a pedir um sobressalto cívico contra as mudanças propostas pelo Executivo.
“Desde a primeira hora, disse que era importante que o Governo estivesse atento à sensibilidade das propostas que estavam sobre a mesa”, lembrou.
Sem maioria absoluta, e com o PS fora de jogo, o Governo terá de se virar para o Chega para conseguir aprovar as mais de cem alterações ao código do trabalho.