As duas funcionárias administrativas de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) que inscreviam migrantes de forma fraudulenta ficaram em liberdade. O tribunal decidiu que ficam ambas suspensas de funções e estão proibidas de contactar entre si e com elementos da organização.
As mulheres, de 40 e 54 anos, fazem parte de uma organização que começou a ser desmantelada em maio. Em cerca de um ano e meio, inseriram no SNS mais de 10.000 imigrantes, 500 migrantes deram a mesma morada, a rua do Benformoso, em Lisboa.
Os imigrantes tinham acesso ao cartão de utente do SNS e também ao cartão europeu de saúde, que lhes permitia ter assistência médica em vários países da Europa. A grande maioria destes imigrantes já não está sequer em Portugal.
As duas funcionárias, que trabalhavam na Unidade de Saúde Familiar Laços, em Cortegaça, no concelho de Ovar, nunca lidaram diretamente com os imigrantes nem recebiam dinheiro diretamente dessas pessoas. Recebiam, sim, devido ao utente que era inserido.
No total, no âmbito da Operação "Gambérria", foram detidas 16 pessoas e constituídas arguidas outras 26. Entre os arguidos há empresários, uma advogada e uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros.