Começaram esta quinta-feira a ser ouvidos em tribunal os 10 militares da GNR e o agente da PSP detidos na terça-feira. São suspeitos de pertencerem a um grupo criminoso que escravizava imigrantes ilegais no Alentejo.
Até ao final da tarde, pelo menos cinco arguidos já tinham prestado declarações, mas nem todos estão dispostos a responder perante o juiz de instrução. A maioria não quer. Algemados, entendem os suspeitos que o silêncio é mais favorável nesta fase do processo.
Tem sido uma maratona e os advogados dos 17 detidos só ao final do dia de quarta-feira conseguiram consultar o processo. Há 10 militares da GNR e um agente da PSP na linha de fogo do Ministério Público.
Militares da GNR e agente da PSP suspeitos de receber 400 euros para controlar imigrantes ao fim de semana
Sem saberem, estavam a ser vigiados pela Polícia Judiciária nos últimos dois anos, durante os quais foram recolhidos indícios substanciais dos crimes alegadamente praticados contra vários imigrantes ilegais explorados em campos agrícolas e em particular situação de vulnerabilidade.
A investigação refere ameaças e até agressões. A prova parece concluir que os operacionais da GNR e PSP, liderados por um tenente, colaboravam com uma organização criminosa cujo cabecilha era um empresário português.
Uma rede que explorava e escravizava dezenas de imigrantes no Alentejo. As alegadas vítimas estrangeiras seriam forçadas a trabalhar a troco de baixos salários, sem contrato e a viver em condições consideradas desumanas.
