A Guarda Nacional Republicana (GNR) diz que não há lugar naquela estrutura para militares que corrompam a honra e ética da guarda. A força militar diz repudiar atos que ponham em causa a dignidade e os direitos humanos, após dez membros da GNR terem sido detidos por alegada exploração de imigrantes. A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) assumirá a instrução de processos de âmbito administrativo ou disciplinar.
Os militares da GNR em causa, juntamente com um agente policial, foram detidos esta terça-feira, na sequência de uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) contra a exploração de imigrantes, em Beja. Deverão começar a ser interrogados esta quarta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, segundo a agência Lusa.
Controlavam e ameaçavam imigrantes
Estes suspeitos ter-se-ão aproveitado da fragilidade dos imigrantes para lhes "retirarem avultadas vantagens económicas". Os cidadãos estrangeiros seriam sujeitos a trabalhar sem contrato, em explorações agrícolas. E "a troco de compensação económica, fora das respetivas competências profissionais e infringindo os deveres a que estão obrigados em razão do exercício de funções públicas", os militares da GNR exerciam "o controlo e vigilância dos trabalhadores estrangeiros".
Depois, ameaçavam-nos, “dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos” de que eram alvo”.
“Na Guarda Nacional Republicana não há lugar para pessoas cujo comportamento possa corromper o compromisso de honra e exemplaridade ética que nos guia e que assumimos perante a sociedade e os cidadãos que servimos”, assegurou, esta tarde, a GNR, em comunicado.
GNR expressa "total repúdio"
Demarcando-se da conduta dos militares em causa, a Guarda diz que “reitera o total repúdio em relação a quaisquer atos que ponham em causa os direitos humanos, a dignidade das pessoas e o bom nome de todos os seus militares e civis”.
"Na Guarda Nacional Republicana não há lugar para pessoas cujo comportamento possa corromper o compromisso de honra e exemplaridade ética que nos guia e que assumimos perante a sociedade e os cidadãos que servimos", frisa.
"Já foram desenvolvidas as necessárias diligências de coordenação entre a Guarda Nacional Republicana e a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), assumindo esta Inspeção-Geral a instrução dos respetivos processos de âmbito administrativo e/ou disciplinar", adianta também.
A GNR acrescenta ainda que colaborou com a PJ na detenção dos militares e na apresentação dos mesmos a interrogatório judicial. E sublinha que, confirmando-se as suspeitas, “tudo fará para que os autores sejam criminalmente responsabilizados”, colaborando também com o Ministério Público.

