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Exploração de imigrantes: PSP diz que já tinha denunciado alegados crimes há dois anos

Um agente da PSP e dez militares da GNR foram detidos pelo alegado envolvimento numa rede de exploração de imigrantes. A estrutura refere que tinha enviado ao Ministério Público, já em 2023, uma denúncia relativa aos alegados crimes em causa.

Exploração de imigrantes: PSP diz que já tinha denunciado alegados crimes há dois anos
Getty Images

A Polícia de Segurança Pública (PSP) diz que o polícia que foi detido por alegada exploração de imigrantes estava em casa de baixa há mais de um ano e que já tinha enviado ao Ministério Público, há dois anos, uma denúncia relativa aos alegados crimes. A estrutura prepara-se para abrir um processo disciplinar ao agente. 

O agente da PSP em causa, juntamente com dez militares da GNR, foi detido, esta terça-feira, na sequência de uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) contra a exploração de imigrantes, em Beja.  

Em comunicado, a PSP clarifica que o agente pertence ao efetivo do Comando Distrital de Beja e adianta que, assim que for informada dos crimes de que o polícia será indiciado, abrirá um processo disciplinar. O suspeito deverá começar a ser interrogado esta quarta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

A PSP informa que o agente se encontrava desarmado, numa baixa prolongada - (há 14 meses) - e que já tinha comunicado ao Ministério Público uma queixa, em dezembro de 2023, relativas aos crimes que estarão em causa. 

PSP repudia os atos

Tal como fez a GNR, também a PSP vem demarcar-se dos atos deste agente policial. Frisa que a atuação da PSP se baseia em valores como “a legalidade, imparcialidade, proporcionalidade e respeito pelos direitos humanos”, cujo respeito diz ser “uma obrigação dos polícias”. 

“A PSP repudia assim toda e qualquer forma de desrespeito e violação, quer dos preceitos legais, quer dos princípios deontológicos, pelo que dentro das nossas competências de prevenção, acompanhamento e supervisão, tudo faremos no sentido de as debelar, interna e externamente, e para garantir que comportamentos como os agora noticiados, sejam uma exceção absoluta”, declara. 

Os suspeitos detidos esta terça-feira, entre eles um agente da PSP e dez militares da GNR, ter-se-ão aproveitado da fragilidade dos imigrantes para lhes "retirarem avultadas vantagens económicas".  

Os cidadãos estrangeiros seriam sujeitos a trabalhar sem contrato, em explorações agrícolas. E "a troco de compensação económica, fora das respetivas competências profissionais e infringindo os deveres a que estão obrigados em razão do exercício de funções públicas", os militares da GNR exerciam "o controlo e vigilância dos trabalhadores estrangeiros". Ameaçavam-nos, “dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos” de que eram alvo.