A greve geral desta quinta-feira está a paralisar grande parte do país, com registo de constrangimentos nos transportes, saúde, educação, comércio, indústria e outros serviços essenciais. As centrais sindicais falam numa "adesão massiva", a rondar os 80%, e a UGT já admite uma nova greve se o Governo não recuar no código do trabalho.
Transportes parados na Grande Lisboa e no Grande Porto
Pouco depois das 07:00, a azáfama de um dia normal na estação de Santa Apolónia, em Lisboa, foi substituída pelo silêncio instalado pela greve. A adesão neste setor, de acordo com os sindicatos, é praticamente total, estando a trabalhar apenas os funcionários que receberam a carta para cumprir os serviços mínimos.
Por volta das 07:30, na estação de Campanhã, no Porto - o principal e mais importante terminal ferroviário do Norte de Portugal - o silêncio foi interrompido pelos anúncios de cancelamentos e atrasos. Sem serviços mínimos, dizem os sindicatos, a paralisação seria quase total.
Ainda nos transportes e ainda na Cidade Invicta, durante a madrugada houve quem tentasse impedir, com os argumentos da greve, a passagem de um metro de superfície. Da madrugada ficam relatos de alguns momentos de tensão, mais precisamente nos Transportes Coletivos do Porto.
Num vídeo partilhado nas redes sociais é denunciada a tentativa da PSP de retirar um piquete de greve.
Em Lisboa, mais precisamente na Musgueira, saem vários autocarros da Carris. A polícia teve de intervir para separar quem estava de piquete de greve e quem queria seguir caminho para mais um dia de trabalho.
Ainda nos transportes, além dos comboios também as ligações fluviais no Tejo foram afetadas. Os serviços mínimos de 25% garantem apenas que poucos barcos atravessam o rio nas horas de ponta.
O impacto está também a ser grande nas linhas de Metro, nos elétricos, nos autocarros e nos aviões, com os aeroportos a sofrerem igualmente as consequências.
Forte adesão na saúde e no ensino
Na saúde, o protesto instala-se junto de hospitais de todo o país. Desde o São Francisco Xavier e do Santa Maria, em Lisboa, ao São João, no Porto.
Os dados do turno da noite mostram que a adesão a esta greve nos hospitais durante este período andou entre os 90 e os 100%.
A greve bateu também à porta das escolas, levando ao encerramento de diversos estabelecimentos de ensino.
Impacto na indústria e no comércio
Um impacto que também se faz sentir na indústria. As fábricas, desde Vila Real - com a maior unidade fabril do concelho parada - à Autoeuropa, a maior do país, também encerrada.
No comércio, grandes cadeias de roupa ficaram amarradas às consequências desta greve, que está também nas ilhas. Tanto nos Açores como na Madeira.
UGT admite nova greve geral
Quem aderiu à paralisação está de costas voltadas ao anteprojeto apresentado pelo Governo para rever a lei do trabalho. E ainda a greve estava a ver a luz do dia, já se questionava, se nada avançar nas negociações, a hipótese de um novo protesto.
A UGT assegura que pode voltar de imediato à mesa de negociações. Não hoje, porque há greve, mas já amanhã. Isto caso o Governo assim entenda.
A greve é geral e atravessa todos os setores: transportes, saúde, educação, comércio e indústria. Desde 2013 que não se via algo assim.
