Às instituições chegam diariamente pedidos de ajuda de famílias que vivem no limbo com o salário mínimo e que, basta um imprevisto, deixam de conseguir pagar as despesas do mês.
Quatro meses de baixa, depois de uma cirurgia, viraram do avesso a vida de Susana, que corre o risco de ficar sem casa.
“Fui operada a uma mão e os quatro meses de baixa não cobriam a renda, que é de 550 euros. A senhoria aumentou duas vezes ao ano e mandou sair da casa. Se ganho o ordenado mínimo, como vou pagar este valor? Mesmo agora faço um sacrifício enorme para pagar esse valor. Tentei outra casa, mas 800, 900 euros... não consigo", contou Susana à SIC.
Susana Veiga, assistente social da Legião da Boa Vontade, diz que esta realidade "é o espelho de tantas outras famílias" que recorrem à instituição.
"Basta alguma fragilidade, uma situação na dinâmica familiar, para as pessoas facilmente terem de recorrerem às instituições. Basta ficarem temporariamente sem trabalho, basta um eletrodoméstico estragar-se. É uma dificuldade imensa comprar um frigorífico para famílias que tentam estabilizar-se financeiramente", sublinhou a assistente social.
Como Susana, há muitas outras famílias que, no aperto, descobrem como chegar às instituições que recebem diariamente pedidos de ajuda.
O fardo das preocupações de Susana alivia um pouco com a ajuda imediata de um cabaz mensal, que será reforçado no Natal.
A Legião da Boa Vontade ajuda 600 famílias em todo o país, além de dezenas de pessoas em situação de sem-abrigo, na instituição e à noite nas ruas.