País

Rede Expressos insiste que terminal de Sete Rios não tem espaço para a FlixBus

O gerente da Rede Expressos foi ao Parlamento reafirmar que o terminal está "saturado" e que não tem capacidade para acolher autocarros da empresa concorrente. Alega também questões de segurança ao nível da infraestrutura.

Rede Expressos insiste que terminal de Sete Rios não tem espaço para a FlixBus
DR

A Rede Expressos afirmou, esta quarta-feira, na Assembleia da República que o Terminal de Sete Rios, em Lisboa, não "comportará a entrada dos serviços pedidos pela FlixBus", alegando que a infraestrutura está "esgotada".

O gerente da Rede Nacional de Expressos (RNE), Martinho Costa, disse na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação que "o terminal está saturado", tendo tido "um aumento de procura substancial a partir de 2018 pela entrada de uma população nova que não tem outros meios de deslocação a não ser os expressos".

Martinho Costa levantou também questões de segurança ao nível da infraestrutura, alegando que a entrada da FlixBus em Sete Rios causará a "passagem dos limites de segurança recomendados por um terminal rodoviário, tanto na utilização interna quanto nas vias de circulação exterior ao terminal".

"Uma coisa é certa: nós não abdicaremos do direito de não permitir a entrada de mais operadores, de mais serviços, porque estão em causa a responsabilidade na garantia da segurança de pessoas e bens", afirmou o responsável da RNE.

O gerente da Rede Expressos reiterou também que existem "terminais rodoviários que são propriedade privada", acrescentando que há na "lei a faculdade de os seus donos os retirarem do mercado dos expressos".

"Não podemos exigir que terminais privados sejam postos ao dispor de quem queira utilizá-los", disse.

Autoridade da Mobilidade e dos Transportes ordenou que terminal fosse aberto

Em 2023, a FlixBus apresentou uma queixa formal à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) por recusa de acesso ao terminal de Sete Rios, operado pela Rede Nacional de Expressos, e, em maio deste ano, o regulador determinou o acesso equitativo e não discriminatório àquela infraestrutura.

A AMT considerou que "não foi provado o esgotamento da capacidade do terminal e foi confirmada a existência de capacidade disponível", devendo, por isso, o gestor "facultar o acesso ao terminal, dentro dos horários disponíveis, não podendo tal ser negado, a todos os operadores que o requeiram", lembrando que as infrações ao cumprimento destas regras "constituem contraordenações".

A Flixbus propôs a introdução de 96 novos horários e a BlaBlaCar outros 12. A Rede Expressos recorreu da decisão da AMT, que determinava a abertura do terminal a novos operadores.