Justiça

'Quatro mosqueteiros' do 1143 usavam redes sociais para incitar ódio contra comunidade muçulmana em Portugal

A estrutura neonazi organizou manifestações, partilhou conteúdo violento e tinha ambições de se tornar numa milícia armada, participando em eventos internacionais de extrema-direita na Europa.

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O grupo 1143 utilizava as redes sociais para anunciar ações contra a comunidade muçulmana em Portugal. Era uma estrutura organizada, liderada por elementos que se intitulavam de "quatro mosqueteiros". Queriam passar das palavras aos atos e utilizavam as redes sociais para difundir a ideologia de extrema-direita.

No Telegram e no X, partilhavam informação gerida pelo topo da estrutura, composta pelos chamados "quatro mosqueteiros": Gil Costa, Mário Machado, Bruno Araújo e Paulo Magalhães. Em janeiro de 2024, através da conta "Resistência Lusitana", anunciavam uma manifestação "Contra a Islamização da Europa" no Martim Moniz.

Ao que a SIC apurou no despacho de indiciação, um outro membro do grupo 1143, Fernando Morato de Abreu, que se autointitulava "Goebbels", numa referência ao ministro da propaganda de Adolf Hitler, publicou no X uma decapitação. Na legenda escreveu: "O Islão é o maior cancro deste planeta, tem de ser combatido."

Espancamentos filmados, invasões de casas e ataques em plena rua: o retrato da rede neonazi em Portugal

Não era só em Portugal que o grupo 1143 atuava. Em junho de 2025, participaram na "Jornada Europeia do Movimento", um evento da associação cultural Afonso I das Astúrias, que juntava a extrema-direita de Portugal, Espanha e França. No mesmo encontro, o grupo assumia a vontade de se tornar numa milícia armada.

Na página desta associação, foram publicados vários vídeos onde aparecem elementos do grupo 1143 a fazerem referências à condenação de Mário Machado. O grupo 1143 usava símbolos nacionalistas, como a cruz celta, o estandarte da Mocidade Portuguesa, a saudação nazi e os slogans "Orgulhosamente sós" e "Os lobos não usam coleira".