Os partidos do Governo consideram que o primeiro-ministro está a ser alvo de uma campanha suja, no regresso do caso Spinumviva ao debate público. Já o Chega defende que Luís Montenegro tem arrastado a investigação. À esquerda, os partidos defendem que a Spinumviva continua a ser o “elefante na sala” do Governo.
Em defesa da honra do primeiro-ministro, saltou logo o secretário-geral social-democrata, Hugo Soares, que se declarou “revoltado” com as recentes notícias a envolver Luís Montenegro e a empresa familiar Spinumviva.
“Julgo que não só sou eu que estou revoltado, nem o sr. primeiro-ministro. Eu creio que todos os portugueses com bom senso se revoltam contra campanhas sujas como aquela que aconteceu ontem”, declarou o também líder parlamentar do PSD.
Pelo partido que se alia ao PSD no Governo, o CDS, falou o próprio presidente Nuno Melo. Alega que falar nesta altura sobre a averiguação feita pela Justiça ao primeiro-ministro é desrespeitar as autárquicas.
“Contaminar tudo isto, que é tão determinante, com agendas que são totalmente externas e que deviam estar ausentes do panorama eleitoral autárquico, eu acho que isso é um desrespeito para o poder local”, defendeu Nuno Melo.
Para a Iniciativa Liberal, sob a voz da presidente Mariana Leitão, não há motivo para debate, já que a Procuradoria-Geral da República esclareceu que ainda está “em curso” a averiguação preventiva relacionada com a Spinumviva e que, por isso, não foi ainda aberto qualquer inquérito a Luís Montenegro.
“A partir do momento em que a Procuradoria-Geral da República faz um comunicado dando nota de que as notícias não estão corretas, parece-me que não há mais assunto aqui”, disse Mariana Leitão.
Montenegro tem "empurrado com a barriga"
À direita, a exceção é o Chega. André Ventura afirma que a situação é muito grave e está a ser arrastada pelo chefe de Governo.
“Continuamos a ter no país um primeiro-ministro que está sob suspeita de crimes graves. Isto são graves crimes de idoneidade em relação ao exercício da função pública”, frisou André Ventura. “Muito desta situação tem sido arrastada pelo próprio primeiro-ministro.”
À esquerda, o líder do Livre, Rui Tavares, é da opinião de que a história da Spinumviva ainda está para ser bem contada e acusa o primeiro-ministro de fugir à verdade.
“Luís Montenegro não tem uma relação com a realidade, não tem uma relação com a verdade. Tem um caso com a verdade. Evidentemente que esta história nunca ficou bem explicada”, defendeu.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, afirma que não são os tempos da Justiça que estão em causa e que a responsabilidade de toda a situação é de Luís Montenegro.
“A questão política, de fundo, não tem nada a ver com os tempos da Justiça. Tem a ver com uma coisa que foi feita, não devia ter sido feita, e que se devia ter tirado conclusões na altura sobre isso. O primeiro-ministro empurrou com a barriga, pensando que se safava”, apontou.
Pelo Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua sublinha a importância de o caso ser investigado e encerrado.
“É o elefante na sala da governação portuguesa, do Governo, do Parlamento”, atirou Mariana Mortágua. “Sobre esta investigação: acho que é muito importante que ela tenha um princípio, um meio e um fim."
Quanto ao líder do PS, José Luís Carneiro, não quis falar sobre a investigação a Luís Montenegro e à Spinumviva, mas deixa escapar que o PSD está a usar o caso para “vitimizar-se”.
