No Último Episódio

Podcast

“Aprendi com o Rogério Casanova que não há vergonha em ler um livro de 600 páginas em três dias desde que ninguém nos veja sem tomar banho”

Do bairro do Viso para a Pensilvânia, o escritor Alex Couto percorre os sete episódios de “Task”, olhando para os seus “Sinais de Fumo” e “Os Periquitos Somos Nós”. Uma série sobre perdão, da HBO Max, que não deixa pontas soltas, só um Mark Ruffalo em grande forma

José Fonseca Fernandes

Alex Couto não aparenta ser o típico escritor que se leva muito a sério. E se não aparenta, é porque é verdade. O que não quer dizer que o também copywritter e autor de dois romances, “Sinais de Fumo” e “Os Piriquitos Somos Nós”, não saiba bem do que fala quando a conversa se centra em personagens dinâmicas, cheias de falhas e uma certa tendência para o mundo do crime. Foi nesse universo que entrou na sua primeira obra, ao trazer a realidade crua, divertida, dura, sem tabus, do Bairro do Viso, em Setúbal, onde cresceu. E voltou a entrar na atualidade, agora na crise de habitação que afecta tantos portugueses. É por isso que “Task” lhe cai tão bem. Terminou há poucas semanas na HBO Max — ao todos foram lançados sete episódios ao ritmo da saudosa televisão de prestígio — e convenceu tanto a crítica como o público. Uma história da classe média baixa da Pensilvânia, onde os gangues reinam e a oferta de um futuro risonho escasseia. “Fala de uma América perdida que não surge tantas vezes no ecrã”, conta o escritor. E tem toda a razão.

E por perdida entenda-se a falta de saída, de escape, de oportunidade que vislumbre uma vida melhor do que tomar conta de filhos que não são seus, assaltar casas de criminosos usando a camioneta do lixo, ou o duro dilema de tentar perceber o que raio fazer com o filho que cometeu um enormíssimo e imperdoável crime. “Se esta série é sobre perdão, então nem todos o recebem. Dei por mim a empatizar com o dilema do suposto mau da fita Robbie Prendergrast (Tom Pelphrey). Mais do que com a do Tom Brandis (Mark Ruffalo), padre tornado agente FBI”, afirma Alex Couto.


José Fonseca Fernandes

A série traz todo esse negrume complexo de personagens que não têm para onde ir. E segue uma linha temporal dividida em dois, onde os vilões se tornam humanos e a autoridade policial, emagrecida ao ponto de ser uma mini equipa de intervenção de renegados. “Não deixa pontas soltas, é uma masterclass de guionismo. Acredito mesmo que isto aconteça nos Estados Unidos da América”, afirma o escritor. Esse retrato que tem ficado na memória do ano audiovisual de 2025 só podia ter sido escrito por quem nos trouxe “Mare of Easttown”, minissérie onde Kate Winslet rouba tudo e todos com a sua polícia decadente.

Para um escritor “altamente informado” pela televisão e pelo cinema, Alex Couto acredita mesmo que estamos perante uma das melhores séries do ano. “São a razão que me lembra porque é que gosto tanto de histórias”, diz o também professor de storytelling. Para quem cresceu na era pós-Sopranos, e para quem é todo a favor da televisão de prestígio — não fosse “Mad Men” a sua série preferida — ficou fácil apreciar “Task”. “É ambiciosa, tem dilemas rocambolescos e, por vezes, parece estapafúrdia demais. Mas é um cocktail que explode bem”, finaliza.

Quantas vezes já quis saber mais sobre “aquele” último episódio? Encontrar respostas que criam mais perguntas e só o deixam a pensar quando é que estreia o próximo capítulo?

Em “No Último Episódio”, José Paiva Capucho não traz garantia nenhuma de tranquilizar os fãs de séries. Vem para se juntar à festa.

Traz histórias de bastidores, críticas do público vs críticas dos críticos e análises de cenas.

Tudo isto num podcast que se vai dedicar à melhor televisão nacional e internacional do ano.

‘No Último Episódio’ vai para o ar todas as sextas-feiras no Expresso e em todas as plataformas de podcast. Oiça aqui o trailer da segunda temporada.

Episódios