Ontem Já Era Tarde em Podcast

Podcast

Martim Mayer: “Os 6-3 ao Sporting foram a vitória mais saborosa que tive enquanto adepto”

Martim Mayer, de 51 anos, anunciou a candidatura à liderança do Benfica. Neto de Borges Coutinho, presidente do clube entre 1969 e 1977, e figura histórica das águias, Mayer afirma querer dar continuidade ao legado familiar. Ouça aqui a entrevista de Luís Aguilar ao candidato, em mais um episódio especial de 'Ontem Já Era Tarde' dedicado às eleições do clube da Luz, marcadas para 25 de outubro

Ligado ao universo encarnado desde cedo, foi atleta do Benfica no ténis e no râguebi, modalidade em que também representou a seleção nacional. Tem acompanhado com atenção a vida do clube e admite preocupação com os últimos anos. Ainda assim, mostra confiança no novo treinador: “Quero trabalhar com José Mourinho, mas o verdadeiro Special One é o Benfica”, sublinha.

Mayer elogia a forma como Mourinho entrou no clube, apelando à união dos adeptos. No entanto, deixou uma crítica à declaração do técnico em que este revelou receber menos no Benfica do que se tivesse ficado em casa a receber a indemnização após a rescisão com o Fenerbahçe. “Não gostei de ouvir. Não percebo o interesse em começar uma relação a dizer que está no Benfica em negativo. Talvez seja para justificar alguma coisa se não correr bem. Deixo esse reparo.”

Nuno Fox

Martim Mayer admite que uma das suas prioridades na campanha foi não contribuir para a instabilidade no Benfica. Por isso, evitou comentar publicamente a continuidade de Bruno Lage no cargo.

Agora, sem o treinador no clube, Mayer assume a sua posição: “Neste momento já posso dizer que comigo teria saído antes do Mundial de Clubes, logo após a final da Taça de Portugal. Se eu fosse presidente na altura não teria reconduzido Bruno Lage. Naquele momento era necessário refrescar.”

Ainda assim, sublinha que o problema do Benfica não se esgota no treinador: “O treinador é um paliativo. O problema maior é que a estrutura à volta do treinador não funciona.”

Nuno Fox

Martim Mayer habituou-se, desde criança, a acompanhar o Benfica ao vivo. Ao longo dos anos, acumulou memórias felizes, mas também momentos que ainda hoje o marcam pela negativa.

Recorda com emoção a derrota mais difícil: a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1988, frente ao PSV Eindhoven, em Estugarda. “Tinha 15 anos quando vi esse jogo. Ainda hoje custa lembrar-me de ver o António Veloso falhar o penálti. Foi marcante”, confessa.

Apesar disso, sublinha que é nas derrotas que mais sente a ligação ao clube: “Sou mais do Benfica nas derrotas do que nas vitórias. Tenho a certeza de que muitos benfiquistas se reveem nisto. O Benfica é um clube de vitórias, mas nos momentos menos bons sentimos a intimidade que temos com o clube de uma forma muito própria.”

Em sentido oposto, revela que a vitória mais saborosa foram “os 6-3 ao Sporting em Alvalade” na época 1993/94 com João Vieira Pinto a marcar um hat-trick aos leões. “Estava no estádio e é uma noite inesquecível”, recorda.

O futebol é o ponto de partida nestas conversas sem fronteiras ou destino agendado. Todas as semanas, sempre à quinta-feira, Luís Aguilar entra em campo com um convidado diferente. O jogo começa agora porque Ontem Já Era Tarde.

Episódios