Quase centenária, a tasca Buraquinho do Freixo vê o progresso avançar e com ele a destruição do espaço, conduzido por Alberto Sousa e Silva nos últimos 40 anos. O silêncio do consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto), disse Alberto Sousa e Silva à Agência Lusa, “não tem sido correto”, queixando-se ainda de saber das novidades sobre a sua própria propriedade “por notícias”, e “só depois vieram uns senhores”, há cerca de dois meses. “Sei de quase nada. Costuma-se dizer que o chifrudo é o último a saber”, diz, de rompante, à Lusa o gerente do negócio, habituado a servir a comunidade local e de trabalhadores, desde operários da construção civil a motoristas.
Proprietário do espaço e morador da casa por cima do estabelecimento - ambos fazem parte do mesmo edifício no cruzamento entre a Rua da China e a Rua do Freixo -, Alberto Sousa e Silva, de 70 anos, mostra-se surpreendido com o avanço do projeto da linha de alta velocidade, que, no entanto, ainda carece de aprovação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Infraestruturas de Portugal (IP).
O Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) do troço Porto-Oiã confirma a previsão de demolição de casas na Rua da China e Travessa da Presa da Agra, mesmo em baixo da atual linha de comboio, que será ampliada para o novo projeto. A reação da comunidade às novidades também tem sido “má”, "Isto é gente que mora aqui há 40 e 50 anos, pessoas idosas, andam sempre aí com o coração nas mãos, perguntam a este e àquele”, relata, dizendo que “andamos aqui e não sabemos se vai para aqui, se vai para acolá, quando é ou quando não é”, desabafa.
Para o responsável do restaurante, “isso é errado” e é “brincar com as pessoas”, estando na expectativa para ver se os construtores da linha o “indemnizam o suficiente”. “Se tiver de ir, que seja já, para resolver a minha vida. Com esta idade, 70 anos, vou fazer o quê? Tenho uma casa, trabalho mais ou menos, graças a Deus, e vou para onde, agora? É complicado”, conclui.
O Buraquinho do Freixo, (Rua do Freixo, 1495, Porto. Tel. 911121144) tem um ambiente tipicamente bairrista e familiar. Serve refeições caseiras (a partir de €8,25) e petiscos diversos, como salgadinhos, rojões e fanecas. Tem nas “Tripas” e nos “Calhos”, nome dado à mão de vaca com grão-de-bico, especialidades da casa. Outro atrativo do estabelecimento é o “Rancho”, no menu à segunda-feira.
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