Uma cozinha de território, pronta a despertar sensações. Envolvido pela abundante natureza desta região do alto Minho nasceu, a 17 de outubro, o “5 Sentidos”, restaurante que pretende abraçar a cozinha regional com um toque contemporâneo. Álvaro Costa, que durante três anos, entre 2018 e 2020, foi chef da equipa principal do Futebol Clube do Porto, desenhou a ementa do espaço, construído de raiz para receber este conceito.
Minimalista, mas tradicional, de arquitetura moderna, a sala, apoiada por dois terraços com esplanada, aproveita o enquadramento natural, com vista para floresta. As áreas são “muito amplas” e as mesas “espaçosas”. A decoração bebe dos tons do cenário de Melgaço, utilizando madeiras lacadas em tons de verde e castanho e ferro, além de mármores. Com 80 lugares no interior, a capacidade duplica cá fora nos dois terraços, um mais recatado, outro mais exposto.
Comida de raia
Por estar numa zona de fronteira, parte do conceito do restaurante passa pela “comida de raia”, integrando fumeiro, queijos e “alguma forma de interpretar produtos, como a lampreia”, em Espanha. “Nós comemos lampreia de tacho, eles gostam mais de grelhar, de secar, de fumar”, descreve. O fumo, aliás, marcará forte presença, não somente através do fumeiro proveniente de Espanha e de Castro Laboreiro, como através do carvão e da cozinha de fogo.
Sobre a lenha serão confecionadas diversas raças autóctones, como a Minhota e a Cachena, mas também borrego, cabrito e porco bísaro. Também o “arroz malandro à portuguesa, com carolino nacional, vai estar sempre presente”, assegura o chef citando alguns dos ingredientes que se podem juntar, como o feijão terrestre minhoto, os vegetais de época, o tomate, o pimento e as ervas aromáticas.
Como é apanágio local, quer-se igualmente que o bacalhau “seja prato estrela da casa”.
À mesa do “5 Sentidos” chegam receitas e produtos endógenos e tradicionais “com um toque autoral”, descreve o chef que teve “total liberdade para desenhar o conceito e a carta para este espaço dos mesmos donos do restaurante Mini Zip, também em Melgaço.
Compêndio de cozinha sazonal
A ementa integra clássicos desse restaurante, como o “Bacalhau à moda de Melgaço”, uma receita semelhante ao bacalhau à minhota, e a carne Cachena grelhada com arroz de vegetais de época, bem como o “Assado do dia”, que varia diariamente; peixe de rio “sempre que a faina permita” e lampreia e sável na época. “Também teremos truta, proveniente de Melgaço e de Paredes de Coura”, assinala.
No capítulo das entradas e petiscos estão disponíveis “Sonhos de bacalhau com creme de pimento (€2), “Escabeche de coelho, vinagre de Alvarinho, tostas caseiras” (€7,50), “Queijo de Cabra Prados de Melgaço curado com compota de pimentos” (€8,50), “Presunto da serra, finíssimo, com tomatada “À Basca” e pão torrado” (€8), “Esferas de alheira com queijo curado e mostarda de Dijon” (€2), “Folhado de vitela com ervas do bosque” (€3), ou “Fritada de ovo à moda antiga com chouriça de Melgaço” (€7), além de “Tábua mista de fumados e queijos, tostas, compotas e azeitonas marinadas” (€16,50) e “Cogumelos salteados com linguiça de Melgaço, alho e alecrim” (€9).
Além dos “Clássicos”, especiais da casa, onde pontuam “Bacalhau frito à 5 SENTIDOS” (€25), “Costoletão com batata a murro e vegetais (€50, para duas pessoas) e “Filet mignon, batata a murro e vegetais” (€24), encontra duas sugestões elaboradas com carne Aveleira bio: “Naco de Cachena com batata a murro à portuguesa e vegetais salteados” (€25) e “Costoletão de Cachena grelhado com batata a murro à portuguesa e vegetais salteados” (€28).
Nos peixes destaca-se o “Lombo de bacalhau na brasa, batata grelhada à montanheiro, cebola, ovo cozido e azeite virgem extra Fábrica D’Ouro” (€25) e o “Arroz de bacalhau à casa da família, pimentos assados e cebolas fumadas” (€19,50). Nas carnes, pode optar por Bife de boi minhoto e arroz de legumes” (€22), “Plumas de porco ibérico com feijoada de cogumelos” (€19,50) e “Pernil de porco confitado com puré de alheira e alecrim” (€38,50).
Para encerrar, as propostas focam-se nas especialidades “Leite-creme ao momento”, “Falso Tiramisu Melgacense” e “Arroz doce” (este somente ao fim de semana), todos para partilhar a dois (€12,50).
Álvaro Costa promete um “compêndio de cozinha sazonal” que varia consoante as estações e diverge em duas cartas por ano, uma na primavera/verão; outra no outono/inverno.
Garrafeira internacional e água de bolha fina
O Alvarinho, sobretudo o proveniente da sub região de Monção e Melgaço mas também o produzido com esta casta noutras regiões do país e em Espanha será a grande estrela da garrafeira, garante o chef que quer trazer à mesa referências provenientes das Rias baixas, do outro lado da fronteira. Além de um “naipe de clássicos locais”, Álvaro Costa assegura ainda algumas referências já fora do mercado, bem como espumantes de Alvarinho. No capítulo das espirituosas, a carta integra gin, vermute e vodca produzidos em Melgaço. Mesmo que não beba álcool, saiba que é sempre incluída na refeição a água de Melgaço, de “bolha fina e ligeira”.
Localizado na estrada de acesso ao Hotel Monte Prato, em Melgaço, o Restaurante 5 Sentidos (Avenida do Centro de Estágios, 625, Melgaço. Tel. 251418286) partilha a mesma panorâmica.
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