2025 foi mais um ano que ficou na história dos incêndios, desta vez com a maior área ardida de sempre. O combate aos fogos florestais tem sido centrado na criação de mais entidades, no aumento do número de operacionais, meios aéreos e terrestres.
Mas os incêndios também se combatem com planeamento, uso de tecnologia e conhecimento especializado. Necessidades que não têm sido prioridade, nem têm feito parte dos discursos políticos e não só de quem governa.
É Essencial que se trabalhe na estratégia e na prevenção de fogos durante todo o ano e não quando chega a aflição das primeiras chamas.
A falta de limpeza dos terrenos entra nos argumentos das falhas no combate e na prevenção mas está confirmado que essa não é uma solução milagrosa.
Em dias seguidos com condições metereológicas extremas, como aconteceu este verão, mesmo em zonas agrícolas e geridas, não se conseguiu travar o fogo.
Além disso foram muitos os incêndios que reativaram quando já pareciam estar a morrer. Antecipar o comportamento de um incêndio implica que se consiga identificar, com o máximo de precisão, as chamadas janelas de oportunidade.
Essa antecipação exige conhecimento e especialização, um trabalho para analistas do fogo. Os que o Estado tem ao serviço estão na Força Especial de Proteção Civil e também na entidade da Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Um exemplo do que um trabalho especializado pode fazer está no topo do Parque Natural do Alvão, onde no meio do negro se destaca uma mancha verde que escapou graças à intervenção de máquinas de rasto do ICNF.
As máquinas de rasto não entram em todo o tipo de terrenos mas são fundamentais para ajudar a criar zonas-tampão, não só para apagar o fogo como para o prevenir.
Além da descoordenação, acresce o problema dos incendiários, que nunca tinha sido detetado pelas autoridades com a dimensão que se viu este ano, e que serviu de argumento para justificar outras falhas.
O abandono do interior do país e a falta de organização florestal têm sido terreno fértil para as chamas. Para o interior do país está previsto o plano de intervenção para a Floresta, cujas prioridades já estavam definidas desde antes de 2017, em relatórios e estudos que têm ficado por gavetas.
Um dos grandes problemas tem sido investir na especialização e pôr o conhecimento em prática.
As dúvidas não são sobre se haverá incêndios no futuro mas sim como é que se vai lidar com eles.
Ficha técnica:
- Coordenação Editorial: Conceição Lino
- Jornalista: Conceição Lino
- Imagem: Carlos Rosa, Paulo Cepa, 4KFLY
- Edição: Rui Berton
- Produção: Iara Silva
- Colorista: Jorge Carmo
- Grafismo: Sara Almeida, João Vaz Oliveira, Rui Silva, Rolando Arrifana, Walid Saleh e Pedro Morais
