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Especialistas denunciam banalização da violência contra animais e falta de fiscalização em explorações

Uma investigação da SIC denunciou maus-tratos numa exploração de patos da Marinhave, a maior produtora da Península Ibérica. Após a emissão da reportagem, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) abriu um inquérito para apurar as denúncias. Os especialistas alertam para a banalização da violência contra os animais e para a falta de fiscalização por parte do Estado.

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A Investigação SIC denunciou maus-tratos numa exploração de patos pertencente à Marinhave, empresa do setor agroavícola que comercializa estes animais sob a marca “Pato Quinta da Marinha”, reconhecida como a maior produtora da Península Ibérica. Após a emissão da reportagem, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) abriu um inquérito para apurar as situações denunciadas.

O jornalista da SIC responsável pela investigação, Bruno Castro Ferreira, explica que as imagens foram captadas pela ARDE, uma organização não governamental espanhola que defende os direitos dos animais. A veracidade das imagens foi confirmada através de georreferenciação, que comprovou que são recentes e correspondem, de facto, à exploração em causa.

Sublinha que a empresa foi confrontada com a situação, tendo alegado nunca ter tido acesso às imagens captadas. Justificou, por exemplo, a presença de patos vivos e mortos no mesmo contentor como resultado de “preguiça por parte do funcionário”.

Marisa Quaresma Reis, especialista em direito animal, refere que há uma banalização da violência e do sofrimento animal, com os seres humanos a verem os animais como "um produto" e não como seres vivos. Afirma também que este tipo de situações é habitual em explorações semelhantes, especialmente quando está em causa o lucro financeiro.

Também Joana Machado, investigadora da Frente Animal, corrobora esta ideia e acrescenta que recebe inúmeras denúncias de maus-tratos a animais, sobretudo por parte de trabalhadores destas explorações: "Muitas vezes, as pessoas têm receio de revelar o que sabem, não querem identificar-se devido às ordens que recebem e também porque dependem muito destes empregos."

Denuncia a falta de fiscalização por parte do Estado e alerta para a desconfiança das pessoas em relação ao trabalho das entidades competentes, que frequentemente não encontram este tipo de situações durante as inspeções às explorações.