"Ouço um cantor. Ouço letras, algo sobre uma guerra. Ouço um baixista, ouço um baterista. Nenhum deles existe?" Nenhum existe, mas o grupo é um sucesso no Spotify. Todos os meses, tem mais de 600 mil ouvintes. Uma legião de fãs que continua a crescer, assim como o número de músicas da falsa banda. Por trás deste sucesso está um computador.
Max Tiel é cofundador da Thunderboom Foundation, um laboratório de inovação sem fins lucrativos para a indústria da música. Apoia vários projetos cooperativos e responsáveis com o objetivo de garantir que as tecnologias acrescentem valor positivo à indústria da música.
"Acho que isso é muito mau. Por um lado, porque é uma banda inexistente a fingir ser uma banda de carne e osso. Por outro, porque esta música se baseia em muitas obras de artistas humanos que não receberam reconhecimento nem pagamento por isso."
Apesar das preocupações, Tiel e a sua fundação não rejeitam totalmente o uso da IA. Pelo contrário, procuram formas de ajudar músicos a tirar partido da tecnologia. Um dos exemplos é o organista Jeroen Ermens, que utiliza IA para improvisar solos em palco.
"O sistema grava rapidamente o que toquei, analisa, liga a uma base de dados e, com base nisso, gera algo novo. Nunca sei o que vai acontecer. Quando começo a tocar, sei que vai manter mais ou menos o mesmo estilo. Mas é só isso. Não sei qual será o resultado."
A capacidade da IA de aprender com os erros e melhorar continuamente levanta uma questão inevitável: poderá substituir músicos humanos? Para Max Tiel, a IA pode ser adequada para música instrumental anónima, mas dificilmente substituirá a presença humana num festival.
