Em Minworth, perto de Birmingham, onde se localiza uma das maiores estações de tratamento do país, a escala do problema é evidente. Todos os dias são retirados 15 contentores de resíduos das redes de esgoto.
"Temos os itens comuns que chegam às estações de tratamento: produtos sanitários, preservativos… e depois montes de toalhitas húmidas. O cheiro não é bom, não."
Grant Mitchell é o responsável pela empresa que faz o tratamento de resíduos na região de Birmingham. As toalhitas húmidas descartadas de forma incorreta são a causa dos quase 30 mil bloqueios da rede de saneamento, só no último ano. Além dos bloqueios, as autoridades estão preocupadas com a quantidade de plástico que existe nas toalhitas. Por isso, a partir de 2027 a venda deste produto estará proibida. Para quem quiser continuar a usar toalhitas húmidas, a solução será a versão biodegradável.
Toalhitas "biodegradáveis": solução ou falso alívio?
Com a proibição, apenas toalhitas sem plástico, feitas de materiais naturais e rotuladas como "descarregáveis", poderão continuar à venda. Mas esta alternativa está longe de ser consensual entre investigadores. Dan Jolly, da Universidade de East Anglia, testou o comportamento destas toalhitas biodegradáveis em ambiente natural. Deixou-as durante uma semana num rio e o resultado levanta dúvidas sobre a eficácia das novas regras.
"Mesmo após uma semana na água, continuam muito resistentes. É preciso muita força para as rasgar. Embora estes materiais se decomponham, demoram bastante tempo. E continuam a causar bloqueios."
Além disso, as toalhitas sem plástico podem libertar microfibras quando chegam aos rios ou ao mar.
"Ainda não compreendemos o impacto destas fibras no ambiente, se é sustentável ou prejudicial."
A recomendação continua a mesma: só os 3 Ps. Para quem lida diariamente com o problema, a mensagem essencial mantém-se inalterada. Mitchell deixa um conselho simples, que resume anos de campanhas públicas.
"Apenas os três Ps devem ir pela sanita: poo, pee and paper - cocó, xixi e papel."
As autoridades esperam que a proibição das toalhitas com plástico, aliada a uma maior sensibilização pública, permita reduzir significativamente o número de bloqueios na rede de saneamento e a libertação de microplásticos no ambiente, mas os especialistas lembram que o comportamento dos consumidores será determinante.
