Saúde e Bem-estar

Cientistas associam medicamentos a risco de demência

Stringer .

Em causa estão os medicamentos anticolinérgicos que são fármacos de inibem ou antagonizam efeitos do sistema nervoso parassimpático.

Um estudo publicado esta terça-feira no JAMA Internal Medicine, sugere que pode haver ligação entre os medicamentos anticolinérgicos e a demência.

Esta ligação pensa-se ser mais forte em certos tipos de medicamentos, nomeadamente antidepressivos, anti muscarínicos para a bexiga, antipsicóticos e antiepiléticos.

De acordo com a CNN, os investigadores responsáveis pelo estudo explicam que “há quase um aumento de 50% de probabilidades de desenvolver demência” associado a uma exposição forte a este tipo de fármacos durante três anos, em comparação com pessoas que nunca tomam esta medicação.

“Este estudo é importante pois consolida a ideia de que este tipo de medicação tem um forte impacto no desenvolvimento da doença”, afirmou Carol Coupland , professora de estatísticas médicas nos cuidados primários na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, e a primeira autora do estudo.

O estudo também realça que “a medicação anticolinérgica está mais associada a casos de desenvolvimento da doença em questão. Esta pesquisa é importante para que os médicos saibam quando prescrever estas medicações (...) Este estudo é acima de tudo observacional, portanto, não podemos tirar as conclusões como uma verdade absoluta”, afirmou a investigadora.

Os pacientes estão informados que não devem interromper estas medicações sem consultar o seu médico primeiro, pois a interrupção do tratamento pode ter impactos negativos na saúde do paciente, no entanto nem todos seguem essas indicações.

A investigação, levada a cabo também por Trevor Hill e Tom Dening, analisou os dados de 284,343 adultos no Reino Unido, com idades mínimas de 55 anos, entre 2004 e 2016.

Os investigadores identificaram os antidepressivos como os fármacos desta classe de medicamentos que são mais prescritos.

Segundo os especialistas Noll Campbell, Richard Holden e Malaz Boustani, como o estudo estabelece apenas a associação entre os anticolinérgicos e a demência, é necessário realizar mais estudos que possam clarificar estas informações.

Em Portugal

A Ordem dos Farmacêuticos em Portugal já havia publicado em 2017 um documento que falava do risco destes fármacos em idosos.

Em Portugal, os medicamentos comercialmente disponíveis com carga anticolinérgica são acima de tudo para a asma e para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) - sendo, portanto, medicamentos inalatórios e sem risco considerável para a saúde. Os restantes, disponíveis, são de uso controlado, nomeadamente para uso intra-hospitalar.

A doença

Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento cognitivo do indivíduo. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

Segundo os especialistas, a doença ocorre com maior frequência a partir dos 65 anos de idade e é uma das principais causas de incapacidade em idosos.

Atualmente 50 milhões de pessoas são afetadas pela demência na atualidade, refere um alerta da Organização Mundial de Saúde que estima que os casos possam triplicar até 2050.

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