Saúde e Bem-estar

"Não quero morrer". Constança sofre de fibrose quística e precisa de um medicamento que não há em Portugal

A administração do fármaco depende de uma autorização das autoridades de saúde.

Constança Braddell tem 24 anos e sofre de fibrose quística, uma doença incurável e mortal. O estado de saúde da jovem agravou-se muito nos últimos meses e levou agora a um internamento. Desde setembro, a jovem perdeu 13 quilos.

Constança precisa de receber oxigénio e recorrer a um ventilador para sobreviver.

Nas últimas horas, lançou um apelo nas redes sociais, por acreditar que um medicamento novo, o Kaftrio/Trikafta, pode salvar-lhe a vida. No entanto, o fármaco não existe em Portugal e para ser administrado precisa de uma autorização das autoridades de saúde.

Para que os novos medicamentos sejam administrados é necessário cumprir um processo que passa pelo pedido de autorização especial assinado pelo médico assistente. O documento segue depois para a Comissão de Farmácia do Hospital, que o envia para o Infarmed, que terá de deferi-lo ou não. O caso parece arrastar-se entre o Infarmed e o Hospital de Santa Maria.

A SIC solicitou explicações sobre o caso de Constança às autoridades de saúde referidas, mas não obteve resposta até ao início do Primeiro Jornal desta sexta-feira.

Em Portugal, nascem por ano cerca de 30 a 40 crianças com esta doença genética que ainda não tem cura.

Infarmed diz que pedido de autorização de medicamento para Constança ainda não foi submetido

O Infarmed reagiu ao caso esta sexta-feira à tarde, num comunicado enviado às redações, afirmando que está a acompanhar o caso de uma "doente específica" há uma semana, referindo-se a Constança Braddell.

A autoridade do medicamento garante também que ainda não foi submetido um pedido de Autorização de Utilização Especial para a doente.

"No caso concreto deste medicamento, e enquanto decorre a sua avaliação, existe a possibilidade de acesso ao medicamento, da iniciativa do hospital, através de Autorização de Utilização Especial (AUE), ao abrigo de um Programa de Acesso Precoce, no caso deste medicamento aprovado em 27 de novembro de 2020. Os pedidos de AUE são fundamentados pelo hospital requerente, e incluem informação clínica detalhada do doente para o qual é solicitado o tratamento. Essa informação é depois avaliada caso a caso por peritos clínicos (médicos), pertencentes à Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde do Infarmed", lê-se na nota enviada às jornalistas.

No mesmo comunicado, o Infarmed informa que contactou o hospital que segue a doente para verificar se existia um pedido pendente e que "até ao momento (05/03/2021) não foi submetido ao INFARMED pedido de AUE para esta doente, tendo este facto sido confirmado pelo hospital".

A mesma estrutura mostra-se disponível para analisar o processo para disponibilizar o medicamento à doente "no mais curto espaço de tempo". Mas diz que só será possível quando o pedido for submetido.

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