Saúde e Bem-estar

Consumo regular de alimentos processados aumenta risco de doenças cardíacas, cancro e até morte prematura

Consumo regular de alimentos processados aumenta risco de doenças cardíacas, cancro e até morte prematura
Aleksandr Zubkov
Investigadores norte-americanos e italianos analisaram o comportamento alimentar de milhares de pessoas ao longo de vários anos.

Dois estudos realizados nos Estados Unidos da América e em Itália dão conta de que o consumo frequente de comidas processadas aumenta, substancialmente, o risco de doenças cardíacas, cancro do intestino e, em casos mais severos, pode mesmo conduzir à morte prematura.

Os resultados destes estudos realizados por investigadores norte-americanos e italianos foram publicado na revista especializada em saúde, a BMJ. Nesta publicação, é possível constatar que o consumo regular de alimentos processados e ultra-processados potencia o risco de desenvolvimento de doenças e de morte prematura.

Já é do conhecimento geral que consumir com frequência este tipo de alimentos não traz benefícios para a saúde, e vários estudos já o comprovaram anteriormente, mas até agora nunca tinham sido desenvolvidas investigações que ligassem diretamente o risco de desenvolver cancro intestinal com a ingestão de produtos ultra-processados.

Exemplos de alimentos processados

Estes alimentos são constituídos por uma abundante quantidade de sal, açúcar e gordura, sendo inversamente pobres em vitaminas e fibras. Dessa extensa lista fazem parte os seguintes produtos:

  • Refeições pré-preparadas
  • Salsichas, chouriços, alheiras
  • Batatas fritas em pacote
  • Frutas em calda e cristalizadas com açúcar
  • Bolachas
  • Refrigerantes
  • Pão de forma e alguns cereais matinais

Primeiro estudo

Foi realizado nos Estados Unidos da América. Ao todo, 46.341 homens e 159.907 mulheres responderam a um questionário relacionado com os seus hábitos alimentares. Estes dados foram depois analisados e comparados com a incidência de cancro colorretal.

Os alimentos consumidos foram colocados por ordem de processamento (do mais para o menos processado) e as taxas de incidência deste tipo de cancro foram analisadas ao longo de 30 anos, tendo em conta fatores médicos e os variados estilos de vida.

O resultado desta investigação levou à conclusão de que os homens que mais consumiam alimentos processados possuíam um risco acrescido de contrair cancro colorretal 29% superior, comparativamente aos restantes.

O mesmo resultado não se verificou nas mulheres, cujas probabilidades de desenvolverem cancro intestinal não aumentou com o maior consumo de comidas ultra-processadas. No entanto, o consumo entre as mulheres de refeições pré-preparadas foi associado a um maior risco deste cancro.

Segundo estudo

A segunda investigação foi levada a cabo em Itália e reuniu amostras de 22.895 italianos, dos quais 48% eram homens e 52% mulheres. Informações sobre a alimentação foram recolhidas durante 14 anos e foi estabelecida uma comparação entre as mortes e os alimentos consumidos ao longo desse período, juntamente com as doenças associadas.

Os resultados mostraram, à semelhança do estudo norte-americano, que o consumo de produtos ultra-processados está diretamente associado a mortes prematuras ligadas a doenças cardíacas. Foi revelado que aqueles que levavam um estilo de vida mais insalubre do ponto de vista alimentar, tinham 19% mais de probabilidade de falecer de qualquer tipo de causa e 32% a mais de probabilidade de morrer devido a complicações cardíacas.

O risco acrescido de morte foi mais uma vez associado ao elevado consumo de alimentos ultra-processados. O consumo alimentar destes produtos permaneceu associado à mortalidade mesmo depois de a má qualidade nutricional das dietas ter sido contabilizada e explicada.

Serão estes estudos 100% exatos?

Existem limitações. Os riscos de morte podem estar associados a outros fatores de risco para além do consumo de alimentos processados.

Não estabelecem, desse modo, uma causa exata para as mortes ou para o desenvolvimento de doenças. Contudo, ambos os estudos têm em conta marcadores fiáveis de qualidade alimentar e vários outros fatores de risco.

Estas informações recolhidas vão servir para outras pesquisas semelhantes e poderão levar ao desenvolvimento de novos conhecimentos que ligam o consumo de produtos ultra-processados a uma condição de saúde mais débil.

Últimas Notícias
Mais Vistos