Saúde e Bem-estar

Gripe mais agressiva: é importante que as pessoas "reconheçam os sinais de alarme"

Margarida Santos diz que os planos de contingência para a gripe funcionam em colaboração com a população. A médica de medicina geral e familiar defende que a população deve estar vacinada e saber quando é que deve ser vista numa urgência.

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Após um fim de semana complicado nas urgências, a situação mantém-se inalterada. A gripe tem levado muitos doentes aos hospitais e os constrangimentos podem manter-se nas próximas semanas, com o pico a acontecer antes do final do ano.

Segundo a ministra da Saúde, está a circular um subtipo de vírus da gripe mais forte, que poderá afetar um número maior de pessoas. O Governo reforça a importância da vacinação dos grupos de risco e do uso de máscara sempre que necessário, como forma de travar a propagação do vírus.

Na antena da SIC Notícias, a médica de Medicina Geral e Familiar, Margarida Santos, explica que uma das formas de aliviar a pressão nas urgências é optando, primeiro, por recorrer aos cuidados de saúde primários. 

"Com esta instabilidade toda o que acaba por acontecer é que as pessoas têm medo e recorrem mais ao serviço de urgência, depois não conseguem ir ao médico de família, se calhar estão muito tempo à espera da linha SNS24 e, portanto, acaba por haver uma instabilidade que não é boa para os cuidados de saúde primários e que, por isso, acabam por resultar em urgências muito cheias", começa por explicar. 

Explica, ainda, que com as urgências cheias, acaba por haver "mais propagação de vírus, porque a gripe é muito contagiosa e, se de repente a pessoa tem sintomas ligeiros que até poderiam ser geridos em casa (...) mas vai ocorrer para uma urgência, contagia mais pessoas, pessoas mais vulneráveis e, portanto, é um bocadinho um ciclo vicioso difícil de acabar". 

Triagem digital vai começar a ser uma possibilidade

Uma das medidas que vão começar a ser implementadas é a triagem digital. "A partir de agora as pessoas acima dos 18 anos vão poder usar a aplicação para fazer uma triagem, que funciona quase como a linha da SNS 24, em que a pessoa diz os sintomas e imediatamente a aplicação ou reencaminha para uma consulta, ou liga ao 112 se for preciso, ou então faz as recomendações gerais". 

"Claro que isto não dá para toda a população, mas a que conseguir, convém fazer isto. Por quê? Precisamente para resolver este problema que temos tido, que são, às vezes, termos doentes duas horas ou três horas à espera de uma resposta da linha da SNS24. (...) É importante relembrar, apesar deste alarmismo todo com a gripe, a maioria dos casos de gripe são para vigiar em casa. O que nós queremos que as pessoas conheçam e reconheçam os sinais de alarme". 

Por isso, é importante os doentes terem atenção a dificuldades respiratórias e a febres que não melhorem, ou que tenham, por exemplo, agravamento das doenças crónicas. 

Relativamente ao plano de contingência, Margarida Santos diz que os para a gripe funcionam em colaboração com a população. A médica de medicina geral e familiar defende que a população deve estar vacinada e saber quando é que deve ser vista numa urgência.