Nas redes sociais está a circular um vídeo que mostra o Presidente de França, Emmanuel Macron, a dizer não ter medo de Vladimir Putin nem de Donald Trump. Nessas imagens, Macron afirma ainda estar "pronto para a guerra".
A publicação circula no X (antigo Twitter) desde dia 19 de janeiro e conta com milhões de visualizações e milhares de comentários.
No vídeo, ouve-se Macron afirmar: "Sim, eu não tenho medo de Vladimir Putin, nem de Trump. Se eles querem a guerra, eu estou pronto porque França tem países africanos que ajudarão em caso de guerra".
Macron disse mesmo isto?
A relação de Donald Trump com os aliados tem vindo a degradar-se dia após dia. O Presidente dos EUA revelou mensagens privadas do secretário-geral da NATO, mas também do Presidente francês, e ameaçou Emmanuel Macron com tarifas de 200% sobre vinhos e champanhe, caso Paris não aceite integrar uma iniciativa diplomática de Washington.
Em França fala-se já em 'guerra fria', mas as relações ainda não escalaram ao ponto de Macron ter dito que o país está "pronto" para a guerra.
O vídeo foi manipulado com recurso a inteligência artificial (IA) a partir de um discurso real de 15 de janeiro, tratando-se de um caso clássico de deepfake, uma tecnologia usada com IA com o objetivo de enganar ou disseminar desinformação. Um sinal dessa manipulação é a falta de sincronização entre o movimento dos lábios e o discurso que se ouve, além da voz parecer robotizada.
Macron discursou num púlpito, diante do qual foi colocada uma placa onde se lia "Voeux aux Forces armées" (Votos às Forças Armadas). O discurso real abordava o orçamento das Forças Armadas, a defesa europeia face à guerra entre Rússia e Ucrânia e a questão da Gronelândia. Não houve qualquer referência a Trump ou a Putin.
A SIC Verifica que é...
O vídeo é um caso clássico de deepfake com o objetivo de enganar ou disseminar desinformação. O movimento dos lábios dessincronizado com o áudio além da voz aparentemente robotizada são, desde logo, sinais dessa manipulação. No discurso original, Macron não fala nem de Trump nem de Putin.
