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Cancro da mama. "Todos nós notamos um aumento grave de doenças em fase avançada"

Quem o diz é Emília Vieira, cirurgiã no Hospital de Santa Maria e presidente da associação Amigas do Peito. A ausência de rastreios - situação agravada pelo pandemia - é o principal fator que explica os atrasos no diagnóstico

Em Portugal, o número de novos casos de cancro da mama, por ano, ronda os 6 mil. A implementação dos rastreios por todo o território - à exceção da região de Lisboa e Vale do Tejo que não está totalmente coberta pelo rastreio estandardizado - tem contribuído para que muitas destas mulheres possam ser diagnosticadas precocemente, explicando a percentagem de 90% de sobrevivência para esta neoplasia maligna. Não obstante, para manter os bons números, os rastreios e a referenciação têm de regressar à normalidade dos tempos pré-covid-19, segundo defendem os especialistas.

A problemática da ausência de rastreio populacional de cancro da mama na região de Lisboa e Vale do Tejo é uma questão antiga e de difícil resolução, que existia já antes da chegada da pandemia e que prevalece até aos dias de hoje. "É por isso que a associação Amigas do Peito é tão importante nesta zona. Estamos sempre a alertar para a importância de fazer rastreio e de conhecermos o nosso corpo (através do auto-exame)", sublinha Emília Vieira.

"Seja de que zona do país for, é só telefonar para nós"

Sediada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a associação Amigas do Peito existe desde 2008 e tem como intenção ajudar e esclarecer as mulheres com cancro da mama, dando todo o "apoio necessário, para além do apoio técnico e clínico que já é dado pelo hospital", explica a presidente da associação. "Nós temos a chamada via-verde. Qualquer mulher com suspeita de patologia mamária pode dirigir-se a nós", acrescenta a especialista.

CONTACTOS:

- Telefone: 965723909

- Site: http://www.amigasdopeito.pt/

- Página de Facebook

Combater possíveis lacunas causadas pelas curtas consultas - que duram cerca de 15 ou 20 minutos cada uma - é um dos objetivos da Amigas do Peito. Para isso, a associação conta com voluntárias (90% já teve cancro de mama) e psicólogas que apoiam e informam, proporcionando às mulheres recém diagnosticadas mais esperança e alento para continuar. "Uma mulher que tem um diagnóstico de cancro da mama, se falar com uma outra que já superou a doença há dez anos, ganha logo uma alma nova", assegura Emília Vieira. Além disso, a associação desenvolve outras atividades ao longo do ano com o fim último de ajudar o número máximo possível de mulheres que estejam nesta situação.

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