Lusa

Líderes da UE reúnem-se para discutir tensões sociais e políticas na Bielorrússia

Evgenia Novozhenina

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, sublinhou que "o povo da Bielorrússia tem o direito de decidir sobre o seu futuro e eleger livremente o seu líder".

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, convocou esta segunda-feira uma reunião extraordinária de líderes para quarta-feira, por videoconferência, para discutir as tensões sociais e políticas na Bielorrússia, após as eleições presidenciais no país contestadas pela União Europeia (UE).

"Vou convocar uma reunião extraordinária dos membros do Conselho Europeu para esta quarta-feira para discutir a situação na Bielorrússia", escreveu esta segunda-feira na rede social Twitter o presidente da estrutura que junta chefes de Governo e de Estado da UE.

Charles Michel sublinhou que "o povo da Bielorrússia tem o direito de decidir sobre o seu futuro e eleger livremente o seu líder", adiantando que "a violência contra os manifestantes é inaceitável e não pode ser permitida".

Desde há uma semana que a Bielorrússia é palco de uma onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko, que muitos, incluindo a UE, consideram fraudulenta.

No poder há 26 anos, Alexander Lukashenko obteve, segundo a Comissão Eleitoral Central do país, mais de 80% dos votos no dia 9 de agosto, conquistando o seu sexto mandato.

Desde então, mais de 6.700 pessoas foram presas durante ações de protesto e centenas dos já libertados relataram cenas de tortura sofridas na prisão.

Em resposta ao agravamento da crise, a UE acordou na sexta-feira impor sanções contra as autoridades bielorrussas ligadas à repressão e à fraude eleitoral.

No domingo, realizou-se um dos maiores protestos da oposição na história da Bielorrússia, com várias dezenas de milhares de pessoas em Minsk para exigir a saída do chefe de Estado, mas o Presidente já rejeitou a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais.

A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, que está refugiada na Lituânia, disse esta segunda-feira que estava pronta para liderar o país, referindo que não "queria ser política", mas que "o destino decretou que estaria na linha da frente diante da arbitrariedade e da injustiça".

Svetlana Tikhanovskaïa referiu-se à votação como uma fraude, depois de a Comissão Eleitoral lhe ter atribuído 10% dos votos.

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