Cultura

Primeiro-ministro recorda "grande lutadora" que "nunca calou a voz" na defesa das mulheres

Twitter @RaulDevezas

A atriz e encenadora morreu hoje aos 77 anos, em Cascais.

O primeiro-ministro, António Costa, lamentou hoje a morte da atriz Fernanda Lapa, que recordou como uma lutadora que "nunca calou a voz para defender o papel das mulheres", afirmando que a sua falta será sentida.

"Fernanda Lapa foi sempre uma lutadora, que respirou Liberdade, Teatro e Cultura a vida inteira. Nunca calou a voz para defender o papel das mulheres, contra preconceitos e estereótipos. Vamos sentir a sua falta", escreveu o primeiro-ministro, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

António Costa recordou que em janeiro, no Teatro São Luiz, em Lisboa, agradeceu a Fernanda Lapa a homenagem que prestou ao seu pai, (o escritor Orlando da Costa), "ao encenar a peça 'Sem Flores Nem Coroas', nunca antes representada".

"Também por isso, muito obrigado, Fernanda Lapa. À família, amigos e membros da companhia Escola de Mulheres, os meus sentimentos", lê-se.

A atriz, militante comunista, tal como era o pai de António Costa, morreu hoje, aos 77 anos, em Cascais, onde estava hospitalizada, anunciou a Escola de Mulheres, companhia que dirigiu desde a sua fundação, em 1995.

Várias vezes premiada, Fernanda Lapa coordenou as comemorações do centenário de Bernardo Santareno, que se assinala este ano, de quem a Escola de Mulheres vai levar ao palco, em novembro, a obra "O Punho", com versão cénica da atriz e encenadora.

A fundação da Escola de Mulheres surgiu, em 1995, para "romper com o estado de coisas a que estavam remetidas as mulheres no teatro português".

Segundo a biografia disponibilizada pela companhia que fundou, Fernanda Lapa venceu o prémio Sete de Ouro para a melhor encenação em 1992 e Prémio da Crítica para a Encenação em 1992 com "Medeia é Bom Rapaz", tendo ainda recebido o prémio especial Procópio em 1999 e o Globo de Ouro para melhor espetáculo por "A Mais Velha Profissão", em 2005.

A atriz, que para além do teatro também trabalhou na televisão e no cinema, recebeu ainda a Medalha de Mérito Cultural em 2005.